Hundertwasser publica o “Manifesto do Mofo contra o racionalismo em Arquitetura”
Manifesto do mofo contra o Racionalismo em ArquiteturaHundertwasser Friedensreich. ÁUSTRIA : 1958
"(...) Quando a ferrugem ataca a lâmina de barbear, quando o mofo forma-se num muro, quando o musgo nasce num canto e atenua os ângulos, nós deveríamos nos alegar de que a vida microbiótica entra na casa e nos damos conta que somos testemunhas das mudanças arquitetônicas em que temos muito a aprender.
A mania de destruição dos arquitetos funcionalistas é bem conhecida. Eles querem simplesmente destruir as casas Art Nouveau do séc. XIX com sua decoração em estuque e substituí-las pelas suas construções vazias e sem alma. Eu citaria Le Corbusier que queria arrasar Paris e reconstruí-la com os monstruosos imóveis retilíneos. Para sermos justos agora, deveríamos destruir os edifícios de Mies Van der Rohe, Neutra, a Bauhaus, Gropius, Johnson, Le Corbusier e os outros, porque ficaram fora de moda e moralmente insuportáveis em menos de uma geração.
Para salvar a arquitetura funcionalista da ruína moral uma substância corrosiva deveria ser jogada nos muros de vidro e superfícies de concreto liso para permitir ao mofo que se fixe sobre eles. É tempo de que a indústria reconheça que a missão fundamental é a produção do mofo criativo!
É preciso que agora a indústria desenvolva, entre seus especialistas, engenheiros e doutores, responsabilidades para a produção de um mofo criativo... Só os sábios e os engenheiros capazes de viver no mofo e de produzir mofo criativo serão os mestres do amanhã.
Somente depois que todas as coisas sejam recobertas de mofo criativo, sobre o qual nós temos muito a aprender, uma nova e maravilhosa arquitetura nascerá. "
Manifesto do mofo contra o Racionalismo em Arquitetura
Hundertwasser Friedensreich. ÁUSTRIA : 1958
Tradução: Flávio Arancibia Coddou
Depois de publicar, em 1953, o texto "A linha reta levará ao declínio de nossa civilização" (ver a sessão Documentos), o austríaco Friedensreich Hundertwasser aprofunda sua crítica ao funcionalismo e aos enormes conjuntos habitacionais propostos pelos arquitetos modernos em seu "Manifesto do Mofo".
Friedensreich Hundertwasser, 1958:
"O princípio das favelas - isto é, uma arquitetura de proliferação anárquica - é que deve ser melhorado e tomado como ponto de partida, e não a arquitetura funcional. A arquitetura funcional revelou-se um caminho errado, exatamente como a pintura com uma régua. Nós nos aproximamos rapidamente de uma arquitetura impraticável, inútil e finalmente inabitável.
[...]
É tempo para que as pessoas se revoltem contra uma situação que as condena a viver confinadas em latas de sardinhas, da mesma maneira que as galinhas e os coelhos em gaiolas, que são totalmente estranhas à sua natureza.
[...]
A mania de destruição dos arquitetos funcionalistas é bem conhecida. Eu citaria Le Corbusier que queria arrasar Paris e reconstruí-la com os monstruosos imóveis retilíneos."
Fonte(s): Hundertwasser Architecture: for a more human architecture in harmony with nature. Alemanha: Taschen, 1997.
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