Tuesday, August 26, 2008
Instruções para Kali Yuga
A KALI YUGA ainda tem mais ou menos 200 mil anos para brincar - uma boa notícia para advogados e avatares do Caos, mas uma má notícia para brâmanes, jeovista, deuses da burocracia e seus lacaios. Eu sabia que Darjeeling guardava alguma coisa para mim assim que ouvi o seu nome - dorje ling - cidade o trovão. Cheguei um pouco antes das monções, em 1969. Antiga estação montanhosa britânica, sede de verão para o governo de Bengala - ruas com a forma de escadas de madeira curvas, do mercado avistava-se Sikkim e o Monte Katchenhunga - templos e refugiados tibetanos - belas pessoas de porcelana amarela chamadas Lepchas (os verdadeiros aborígenes) - hindus, muçulmanos, nepaleses e budistas butaneses, além de ingleses decadentes que perderam o caminho para casa em 1947, ainda à frente de bancos antiquados e lojas de chá. Conheci Ganesh Baba, um saddhur gordo e de barbas brancas com um hiperimpecável sotaque de Oxford - nunca vi ninguém fumar tanta maconha, um narguilé cheio após o outro, perambulávamos pelas ruas, onde ele jogava bola com crianças barulhentas ou arrumava brigas nos bares, perseguindo funcionário do comércio assustados com seu guarda-chuva, e morrendo de rir. Ele me apresentou a Sri Kamanaransan Biswas, um homem de meia-idade, pequeno e delicado, metido num terno surrado. Era funcionário do governo de Bengala e se ofereceu para me ensinar tantra. O senhor Biswas vivia num minúsculo bangalô empoeirado num morro íngreme, enevoado e salpicado de pinheiros, onde eu o visitava diariamente com doses de conhaque barato para puja e bebericagens - ele me encorajava a fumar enquanto conversávamos, um vez que, para Kali, também a maconha é sagrada. Em sua selvagem juventude, o senhor Biswas havia sido membro do Partido Terrorista de Bengala, que incluía tanto adoradores de Kali e místicos muçulmanos heréticos quanto anarquista e extremistas de esquerda. Ganesh Baba parecia provar esse passado secreto, como se fosse um sinal da força tântrica oculta do senhor Biswas, escondida por trás de sua aparência externa dócil e acomodada. Nós discutimos minhas leituras de Sir John Woodruffe (Arthur Avalon) todas as tardes. Eu caminhava até lá através da neblina fria do verão, de armadilhas de espíritos tibetanas adejando na brisa úmida que surgia da bruma e dos cedros. Praticávamos o Tara-mantra e o Tara-mudra (ou Yoni-mudra), e estudávamos o diagrama Tara-iantra para fins mágicos. Um vez, visitamos um templo para o Marte hindu (como o nosso, ao mesmo tempo planeta e deus da guerra), onde ele comprou um anel de dedo feito de prego de ferradura de cavalo e me deu. Mais conhaque e maconha. Tara: uma das formas de Kali, muito semelhante em atributos. Meio anã, nua, com quatro braços armados, dançando sobre um Shiva morto, colar de crânios de cabeças cortadas, língua gotejando sangue, pele de um profundo azul-cinzento (a cor precisa das nuvens das monções). Todo dia, mais chuva - deslizamentos de terra bloqueando as estradas. Meu visto de permanência em área fronteiriça expira. O senhor Biswas e eu descemos as deslizantes montanhas do Himalaia de jipe e de trem rumo à sua cidade natal, Siliguri, localizada nas planícies de Bengala, onde o Ganges estendeu-se num encharcado delta verdejante. Visitamos sua esposa no hospital. No ano anterior, uma enchente havia submergido Siliguri e matado dezenas de milhares de pessoas. Houve uma epidemia de cólera, a cidade inteira parecia um naufrágio, manchada de algas e arruinada, as paredes do hospital ainda estavam empastadas de lodo, sangue, vômito, os líquidos da morte. Ela senta-se silenciosa na sua cama olhando sem piscar para destinos horrendos. O lado negro da deusa. Ele me dá uma litografia colorida de Tara que miraculosamente flutuou sobre a água e foi salva. Naquela noite assistimos a uma cerimônia no templo local para Kali, um pequeno, humilde e meio arruinado santuário à beira da estrada - a luz proveniente de tochas era a única iluminação - cânticos e tambores com uma síncope estranha, quase africana, totalmente anticlássica, primordial e no entanto insanamente complexa. Bebemos, fumamos. Só no cemitério, próximo a um cadáver meio-queimado, sou iniciado no Tara-Tantra. No dia seguinte, febril e distante, dou adeus e sigo Assam, para o grande templo do yoni de Shakti, em Gauhati, em tempo para o festival anual. Assam é território proibido e eu não tenho um visto. À meia-neite, em Gauhati, caio fora do trem, volto pelos trilhos sob chuva e com lama até os joelhos em total escuridão, ando às cegas até finalmente entrar na cidade e encontro um hotel cheio de insetos. Estou doente como um cão. Não durmo. De manhã, viagem de ônibus para o templo, que fica numa montanha próxima. Torres enormes, divindades populares, pátios, edifícios anexos - centenas de milhares de peregrinos - saddhus esquisitos vindos de suas cavernas de gelo atarracados em peles de tigres e cantando. Ovelhas e pombos estão sendo abatidos aos milhares, uma verdadeira hecatombe - (nenhum outro sahib branco em vista) - as sarjetas escoam uma polegada de sangue - espadas-Kali de lâmina curva cortam cortam cortam, cabeças mortas rolam nas pedra escorregadias da rua. Quando Shiva cortou Shakti em 53 pedaços e os espalhou sobre toda a bacia do Ganges, sua vagina caiu lá. Alguns sacerdotes amigáveis falam inglês e me ajudaram a encontrar a caverna onde o yoni está exposto. Nessas alturas, sei que estou seriamente doente, mas determinado a terminar o ritual. Uma multidão de peregrinos (todos ao menos uma cabeça mais baixos do que eu) literalmente me engolfam como a correnteza do mar e me carregam suspenso enquanto descemos umas escadas curvas, asfixiantes e trogloditas até entrarmos numa caverna-ventre claustrofóbica onde sou levando, tonto e nauseado, com alucinações, em direção a um meteorito, meio cônico, meio disforme, manchado por séculos de ghee e ocre. A multidão abre-se para mim e me permite atirar um guirlanda de jasmins sobre o yoni. Uma semana mais tarde, em Katmandu, dei entrada no Hospital Missionário Germânico (por um mês) com hepatite. Um pequeno preço a pagar para todo aquele conhecimento - o fígado de algum coronel aposentado de uma história de Kipling! - mas eu conheço ela, eu conheço Kali. Sim, absolutamente o arquétipo de todo aquele horror, mas, para aqueles que a conhecem, ela se torna a mãe generosa. Mais tarde, numa caverna na selva além de Rishikish, meditei sobre Tara por muitos dias (com mantra, iantra, mudra, incenso e flores) e retornei à serenidade de Darjeeling e de suas visões benéficas. Sua era deve conter horrores, pois a maioria de nós não pode compreendê-la ou alcançar a guirlanda de jasmins além do colar de crânios, percebendo até que ponto são a mesma coisa. Atravessar o caos, cavalgá-lo com um tigre, abraçá-lo (mesmo sexualmente) e absorver algo de sua shakti, sua força-vital - esses é o caminho da Kali Yuga. Niilismo criativo,. Para aqueles que seguem o caminho, ela promete iluminação e até mesmo riqueza, uma parcela de seu poder temporal. A sexualidade e a violência servem como metáforas num poema que age diretamente sobre a consciência através da Imagem-inação - ou talvez nas circunstâncias corretas elas possam ser abertamente distribuídas e gozadas, embebidas com o sentido do sagrado de cada coisa, desde o êxtase e o vinho até o lixo e os cadáveres. Aqueles que a ignoram ou a vêem fora de si mesmo estão arriscados de destruição. Aqueles que a adoram como ishta-devata, ou ser divino, degustam de sua Era do Ferro como se fosse ouro, conhecendo a alquimia de sua presença.
Posted by Timóteo Pinto at 3:52 PM
Labels: Kali Yuga
fonte: http://hakimbey.blogspot.com/2008/08/instrues-para-kali-yuga.html
domingo, 12 de dezembro de 2010
Terra Oca
Tuesday, August 26, 2008
Terra Oca
Regiões Subterrâneas do continente escavadas em cavernas ciclópicas, redes fractais espaços que parecem catedrais, túneis labirínticos em forma de gargantas, rios subterrâneos vagarosos e negros, lagos estígios imóveis puros e levemente luminescentes, estreitas cachoeiras sobre rochas alisadas pela água, cortando florestas petrificadas de estalactites e estalagmites na complexidade dos desconcertantes peixes cegos exploradores de caverna e na vastidão insondável... Quem escavou esta terra oca debaixo do gelo previsto por Poe, por certos ocultistas alemães paranóicos, e por ufólogos malucos? Teria a Terra sido colonizada na época de Gonduana ou da Lemúria por alguma raça antiga? Seus esqueletos de répteis ainda estariam se desfazendo nos labirintos mais secretos e distantes deste sistema de cavernas? Águas paradas e dormentes, canais sem saída, poços estagnados distantes dos centros da civilização como Little America, Transport City, ou Nan Chi Han, lá embaixo, nos recessos escuros e poças das cavernas da Antártida, fungos e samambaias albinas. Suspeitamos que sejam seres mutantes, com os dedos das mãos e dos pés entrelaçados como anfíbios, hábitos degenerados - kallikaks da Terra Oca, renegados lovecraftianos, eremitas, contrabandistas incestuosos e sorrateiros, criminosos fugitivos, anarquistas forçados a se esconder depois das guerras de entropia, fugitivos do puritanismo genérico, dissidentes das sociedades secretas chinesas e fanáticos do turbante amarelo, piratas das cavernas da costa da Índia, lixo brando pálido e sem vida dos proletários das majestosas indústrias de Tongue Thwait, da costa de Walgreen e da terra de Edsel-Ford - os trogloditas têm mantido viva por mais de duzentos anos a memória folclórica da Zona Autônoma, o mito de que algum dia ela aparecerá de novo... taoísmo, filosofia libertina, bruxaria da Indonésia, culto da Caverna Mãe (ou Mães), identificada por alguns estudiosos como a deusa javanesa do mar/lua Loro Kidul, por outros como um divindade menor da Seita da Estrela Polar do Sul, a ``deusa Jade''... manuscritos (escritos em Bahasa Ingliss, o dialeto pidgin das cavernas profundas) contêm citações mutiladas de Nietzsche e e Chuang-tsé... O comércio consiste em ocasionais pedras preciosas e no cultivo de papoulas brancas, fungos, cerca de uma dúzia de diferentes espécies de cogumelos ``mágicos''... O raso lago Érebo, com 5 milhas de diâmetro, polvilhado de ilhotas pinheiros negros, mantidos numa caverna tão vasta que às vezes cria seu próprio clima... A vila oficialmente pertence a Little America, mas, em sua maioria, os habitantes são troglos vivendo de seguro-desemprego - e a caverna profunda do país tribal estende-se no outro lado do lago. A ralé, artistas, viciados em drogas, feiticeiros, contrabandistas, vagabundos e pervertidos moram em hotéis de basalto e gesso caindo aos pedaços, incrustados até a metade por pálidas trepadeiras verdes; ao longo do lago, uma avenida de esquálidos cafés, empórios de pedras preciosas defendidos por ninjas armados, botecos chineses que oferecem sopa de macarrão com pequenos camarões, o hall enfeitado vistosamente de cristal para lentos dançarinos de folk ao som dos gamelões, rapazes praticando seus mudras em sonolentas tardes eletrônicas azul-escuras ao som de gongos sintéticos e metalofones... e sob o cais, talvez alguns poucos banhistas vacilantes ao largo da praia negra; perplexos, genuínos turistas de baixa renda no santuário atrás do bazar onde troglos pálidos e velhos entram em transe com fungos, babam e reviram os olhos, respiram os fumos do incenso pesado, tudo de repente parece ameaçadoramente brilhante, piscando com ênfase... uns poucos casos de dedos entrelaçados, mas os rumores de promiscuidade ritual são verdadeiros. Estava eu vivendo numa vila de pescadores troglos, do outro lado do lago de Érebo, num quarto alugado em cima da loja de iscas... preguiça rural e degenerados ritos supersticiosos de abandono sensual, o mistério larval e doentio dos troglos mutantes ctenóides e oprimidos, preguiçosos e sem viço... Little America, tão cristã e livre de mutações, eugênica e ordeira, onde todos vivem conectados ao reino descartado de antigos softwares e holografias, tão euclidianos, newtonianos, limpos e patrióticos - Los Angeles nunca entenderá esta inocente feitiçaria suja, este ``espiritualismo material''. Esta escravidão aos desejos vulcânicos de gangues secretas de rapazes das cavernas como flores sorridentes jorrando em ereções-dínamo, pulsando pura vida, curvados e tesos como arcos, e o cheiro de água, musgo do lago, flores brancas que desabrocham durante a noite, jasmins e figueiras-do-inferno, urina, cabelo molhado de criança, esperma e lama... possuídos por espíritos das cavernas, talvez os fantasmas de alienígenas antigos agora vagando como demônios, procurando renovar prazeres da carne e de substâncias perdidos há muito. Ou talvez a Zona tenha já renascido, já um nexo de autonomia, um vírus do caos que se espalha em sua mais exuberante forma clandestina, cogumelos brancos venenosos brotando dos pontos onde garotos troglos se masturbaram sozinhos no escuro...
Posted by Timóteo Pinto at 3:55 PM 0 comments
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Terra Oca
Regiões Subterrâneas do continente escavadas em cavernas ciclópicas, redes fractais espaços que parecem catedrais, túneis labirínticos em forma de gargantas, rios subterrâneos vagarosos e negros, lagos estígios imóveis puros e levemente luminescentes, estreitas cachoeiras sobre rochas alisadas pela água, cortando florestas petrificadas de estalactites e estalagmites na complexidade dos desconcertantes peixes cegos exploradores de caverna e na vastidão insondável... Quem escavou esta terra oca debaixo do gelo previsto por Poe, por certos ocultistas alemães paranóicos, e por ufólogos malucos? Teria a Terra sido colonizada na época de Gonduana ou da Lemúria por alguma raça antiga? Seus esqueletos de répteis ainda estariam se desfazendo nos labirintos mais secretos e distantes deste sistema de cavernas? Águas paradas e dormentes, canais sem saída, poços estagnados distantes dos centros da civilização como Little America, Transport City, ou Nan Chi Han, lá embaixo, nos recessos escuros e poças das cavernas da Antártida, fungos e samambaias albinas. Suspeitamos que sejam seres mutantes, com os dedos das mãos e dos pés entrelaçados como anfíbios, hábitos degenerados - kallikaks da Terra Oca, renegados lovecraftianos, eremitas, contrabandistas incestuosos e sorrateiros, criminosos fugitivos, anarquistas forçados a se esconder depois das guerras de entropia, fugitivos do puritanismo genérico, dissidentes das sociedades secretas chinesas e fanáticos do turbante amarelo, piratas das cavernas da costa da Índia, lixo brando pálido e sem vida dos proletários das majestosas indústrias de Tongue Thwait, da costa de Walgreen e da terra de Edsel-Ford - os trogloditas têm mantido viva por mais de duzentos anos a memória folclórica da Zona Autônoma, o mito de que algum dia ela aparecerá de novo... taoísmo, filosofia libertina, bruxaria da Indonésia, culto da Caverna Mãe (ou Mães), identificada por alguns estudiosos como a deusa javanesa do mar/lua Loro Kidul, por outros como um divindade menor da Seita da Estrela Polar do Sul, a ``deusa Jade''... manuscritos (escritos em Bahasa Ingliss, o dialeto pidgin das cavernas profundas) contêm citações mutiladas de Nietzsche e e Chuang-tsé... O comércio consiste em ocasionais pedras preciosas e no cultivo de papoulas brancas, fungos, cerca de uma dúzia de diferentes espécies de cogumelos ``mágicos''... O raso lago Érebo, com 5 milhas de diâmetro, polvilhado de ilhotas pinheiros negros, mantidos numa caverna tão vasta que às vezes cria seu próprio clima... A vila oficialmente pertence a Little America, mas, em sua maioria, os habitantes são troglos vivendo de seguro-desemprego - e a caverna profunda do país tribal estende-se no outro lado do lago. A ralé, artistas, viciados em drogas, feiticeiros, contrabandistas, vagabundos e pervertidos moram em hotéis de basalto e gesso caindo aos pedaços, incrustados até a metade por pálidas trepadeiras verdes; ao longo do lago, uma avenida de esquálidos cafés, empórios de pedras preciosas defendidos por ninjas armados, botecos chineses que oferecem sopa de macarrão com pequenos camarões, o hall enfeitado vistosamente de cristal para lentos dançarinos de folk ao som dos gamelões, rapazes praticando seus mudras em sonolentas tardes eletrônicas azul-escuras ao som de gongos sintéticos e metalofones... e sob o cais, talvez alguns poucos banhistas vacilantes ao largo da praia negra; perplexos, genuínos turistas de baixa renda no santuário atrás do bazar onde troglos pálidos e velhos entram em transe com fungos, babam e reviram os olhos, respiram os fumos do incenso pesado, tudo de repente parece ameaçadoramente brilhante, piscando com ênfase... uns poucos casos de dedos entrelaçados, mas os rumores de promiscuidade ritual são verdadeiros. Estava eu vivendo numa vila de pescadores troglos, do outro lado do lago de Érebo, num quarto alugado em cima da loja de iscas... preguiça rural e degenerados ritos supersticiosos de abandono sensual, o mistério larval e doentio dos troglos mutantes ctenóides e oprimidos, preguiçosos e sem viço... Little America, tão cristã e livre de mutações, eugênica e ordeira, onde todos vivem conectados ao reino descartado de antigos softwares e holografias, tão euclidianos, newtonianos, limpos e patrióticos - Los Angeles nunca entenderá esta inocente feitiçaria suja, este ``espiritualismo material''. Esta escravidão aos desejos vulcânicos de gangues secretas de rapazes das cavernas como flores sorridentes jorrando em ereções-dínamo, pulsando pura vida, curvados e tesos como arcos, e o cheiro de água, musgo do lago, flores brancas que desabrocham durante a noite, jasmins e figueiras-do-inferno, urina, cabelo molhado de criança, esperma e lama... possuídos por espíritos das cavernas, talvez os fantasmas de alienígenas antigos agora vagando como demônios, procurando renovar prazeres da carne e de substâncias perdidos há muito. Ou talvez a Zona tenha já renascido, já um nexo de autonomia, um vírus do caos que se espalha em sua mais exuberante forma clandestina, cogumelos brancos venenosos brotando dos pontos onde garotos troglos se masturbaram sozinhos no escuro...
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OS TONG de Hakim Bey
Tuesday, October 21, 2008
OS TONG
[…]No Inverno passado li um livro sobre os Tong chineses (Primitive Revolutionaries of China: A Study of Secret Societies in the Late 19th Century, de Fei-Ling Davis) – talvez o primeiro escrito por alguém que não foi agente dos serviços secretos britânicos! (na verdade, trata-se de uma socialista chinesa que morreu jovem – foi este o seu único livro) – e percebi pela primeira vez por que sempre me senti atraído pelos Tong: não apenas pelo romantismo, ou pelo elegante cenário da decadência chinesa, que lá estão – mas também pela forma, a estrutura, a própria essência da coisa.Algum tempo depois, numa excelente entrevista de William Burroughs à revista Homocore, descobri que também ele se fascinara com os Tong e sugeria a sua forma como modo perfeito de organização para as bichas, sobretudo no actual período de histeria e moralismo medrosos. Acho que concordo, e estendo a recomendação a todos os grupos marginais, especialmente aqueles cuja fruição envolva qualquer ilegalidade (fumadores de erva, heréticos do sexo, insurreccionistas) ou alguma excentricidade extrema (nudistas, pagãos, artistas pós-vanguardistas, etc., etc.).Os Tong podem talvez ser definidos como uma sociedade de benefício mútuo para pessoas com um interesse comum, que seja ilegal ou perigosamente marginal – daí o segredo necessário. Muitos dos Tong chineses tinham a ver com o contrabando e a evasão fiscal, ou com o domínio pessoal clandestino de certos comércios (em oposição ao controlo estatal), ou com objectivos de insurreição política ou religiosa (derrubar os Manchus, por exemplo – diversos Tong colaboraram com os anarquistas na Revolução de 1911). O propósito comum dos Tong era o de recolher os direitos de filiação e as jóias de inscrição e investi-los em fundos de apoio para os indigentes, desempregados, viúvas e órfãos dos membros falecidos, despesas de funeral, etc. Numa era como a nossa, quando os pobres ficam entre a espada cancerosa da indústria dos seguros e a parede do serviço público de saúde e assistência, que rapidamente se evapora, este propósito da sociedade secreta bem poderia recuperar todo o seu atractivo. (As lojas maçónicas foram organizadas nesta base, bem como os primeiros sindicatos ilegais e as "corporações de artífices" para trabalhadores e artesãos.) Um outro propósito universal de tais sociedades era evidentemente a convivialidade, e em especial os banquetes – mas mesmo este passatempo aparentemente inócuo pode revestir implicações insurreccionais. Nas várias revoluções francesas, por exemplo, as confrarias gastronómicas desempenhavam frequentemente o papel das organizações radicais quando todas as restantes formas de encontros públicos haviam sido banidas.[…]A estrita regra tradicional do segredo também precisa de ser modificada. Hoje em dia tudo o que escape ao olhar idiota da publicidade já é virtualmente um segredo. A maior parte das gentes modernas parece ser incapaz de crer na realidade de algo que nunca viu na televisão – por conseguinte, escapar ao televisionamento é já ser quase invisível. Além disso, aquilo que é visto através da mediação dos media torna-se de certa forma irreal e perde o seu poder. […] Em contraste, talvez aquilo que não é visto retenha a sua realidade, a sua raiz na vida quotidiana e, portanto, na possibilidade de maravilhamento.[…] Muitas organizações não-autoritárias foram fundadas sobre o dúbio princípio da filiação aberta, que frequentemente conduz a uma preponderância de asnos, idiotas, salteadores, neurótticos e agentes policiais. Se os Tong se organizarem em torno de um interesse especial (nomeadamente um interesse ilegal, ou arriscado, ou marginal) terão certamente o direito de se acomodarem segundo esse princípio de "grupo de afinidade". Se o segredo significar a) evitar a publicidade, e b) vetar possíveis membros, a "sociedade secreta" dificilmente poderá ser acusada de violar os princípios anarquistas. Efectivamente, tais sociedades possuem uma longa e honrosa história no movimento anti-autoritário, desde o sonho de Proudhon, reanimar os tribunais nocturnos irregulares como forma de "justiça popular", até aos vários esquemas de Bakunine e à coluna de Durrutti. Não deveríamos permitir que os historiadores marxistas nos convençam de que tais expedientes são "primitivos" e foram, portanto, ultrapassados pela "História". O carácter absoluto da "História" é, quando muito, uma proposição dúbia. Não estamos interessados num retorno ao primitivo, mas num retorno do primitivo, atendendo a que o primitivo é o reprimido.Nos velhos tempos as sociedades secretas surgiam em espaços e tempos proibidos pelo Estado, i. e., onde e quando as pessoas haviam sido afastadas pela lei. No nosso tempo, as pessoas não são habitualmente afastadas pela lei, mas pela mediação e a alienação. O segredo torna-se assim uma fuga à mediação, ao passo que a convivialidade passa de propósito secundário a primário na "sociedade secreta". Um simples encontro face a face é já uma acção contra as forças que nos oprimem por meio do isolamento, da solidão, pelo transe dos media.Numa sociedade que obriga a uma ruptura esquizóide entre o Trabalho e o Lazer, todos nós experimentámos a trivialização do nosso "tempo livre", tempo que não está organizado como trabalho nem como lazer. ("Férias" significou outrora tempo vago – agora significa tempo organizado e preenchido pelo lazer industrial.) O propósito "secreto" da convivialidade na sociedade secreta transforma-se então na auto-estruturação e autovalorização do tempo livre. Boa parte das festas dedica-se apenas a música em alto volume e bebida em demasia, não porque o apreciemos mas porque o Império do Trabalho imbuiu em nós o sentimento de que tempo vago é tempo perdido. A ideia de convocar uma festa para, digamos, fazer uma colcha ou cantar madrigais em grupo parece irremediavelmente fora de moda. Mas os Tong modernos acharão simultaneamente necessário e agradável retirar o tempo livre ao domínio do mundo das mercadorias e devotá-lo à criação partilhada, à brincadeira.Conheço já diversas sociedades organizadas nestes termos, mas não irei certamente quebrar o seu segredo ao discuti-las aqui. Existem algumas pessoas que não precisam de quinze segundos no Jornal da Noite para validarem a sua existência. Evidentemente, de qualquer forma a imprensa e a rádio marginais (os únicos media em que este pequeno sermão irá aparecer) são praticamente invisíveis – certamente ainda muito opacas ao olhar do Controlo. No entanto, há o princípio da coisa: os segredos devem ser respeitados. Nem todos precisam saber tudo! Aquilo que mais falta ao século XX – e aquilo de que ele mais precisa – é tacto. Queremos substituir a epistemologia democrática pela epistemologia dadá. Ou se está no mesmo barco ou não se está no barco.[…] O imediatismo não se preocupa com as relações de poder; nem deseja ser governado, nem governar. Por conseguinte, o Tong contemporâneo não aprecia a degenerescência das instituições em conspirações. Pretende poder para os seus próprios propósitos de mutualidade. É uma livre-associação de indivíduos que se escolheram mutuamente para sujeitos da generosidade do grupo, para a sua "expansividade" (para usarmos um termo Sufi). Se isto resulta em algum tipo de "elitismo", pois que o seja.Se o Imediatismo começa com grupos de amigos que tentam não apenas vencer o isolamento mas também melhorar a vida de cada um, em breve pretenderá assumir uma forma mais complexa – núcleos de aliados mutuamente escolhidos, trabalhando (brincando) para ocupar cada vez mais tempo e espaço fora de todos os controlos e estruturas mediadas. Depois quererá transformar-se numa rede horizontal de semelhantes grupos autónomos – depois, numa "tendência" – depois, num "movimento" – e depois numa rede cinética de zonas autónomas temporárias [T.A.Z.]. Esforçar-se-á finalmente por se tornar no cerne de uma nova sociedade, fazendo-se nascer a si mesma dentro da casca corrupta da velha. Para todos estes propósitos, a sociedade secreta promete fornecer um enquadramento útil de clandestinidade protectora – um manto de invisibilidade que só terá de ser abandonado no caso de um confronto final com a Babilónia da Mediação…Preparemo-nos para as Guerras Tong!»[in Zona Autónoma Temporária: Lisboa, trad. Jorge P. Pires, frenesi, 2000]
fonte: http://hakimbey.blogspot.com/
OS TONG
[…]No Inverno passado li um livro sobre os Tong chineses (Primitive Revolutionaries of China: A Study of Secret Societies in the Late 19th Century, de Fei-Ling Davis) – talvez o primeiro escrito por alguém que não foi agente dos serviços secretos britânicos! (na verdade, trata-se de uma socialista chinesa que morreu jovem – foi este o seu único livro) – e percebi pela primeira vez por que sempre me senti atraído pelos Tong: não apenas pelo romantismo, ou pelo elegante cenário da decadência chinesa, que lá estão – mas também pela forma, a estrutura, a própria essência da coisa.Algum tempo depois, numa excelente entrevista de William Burroughs à revista Homocore, descobri que também ele se fascinara com os Tong e sugeria a sua forma como modo perfeito de organização para as bichas, sobretudo no actual período de histeria e moralismo medrosos. Acho que concordo, e estendo a recomendação a todos os grupos marginais, especialmente aqueles cuja fruição envolva qualquer ilegalidade (fumadores de erva, heréticos do sexo, insurreccionistas) ou alguma excentricidade extrema (nudistas, pagãos, artistas pós-vanguardistas, etc., etc.).Os Tong podem talvez ser definidos como uma sociedade de benefício mútuo para pessoas com um interesse comum, que seja ilegal ou perigosamente marginal – daí o segredo necessário. Muitos dos Tong chineses tinham a ver com o contrabando e a evasão fiscal, ou com o domínio pessoal clandestino de certos comércios (em oposição ao controlo estatal), ou com objectivos de insurreição política ou religiosa (derrubar os Manchus, por exemplo – diversos Tong colaboraram com os anarquistas na Revolução de 1911). O propósito comum dos Tong era o de recolher os direitos de filiação e as jóias de inscrição e investi-los em fundos de apoio para os indigentes, desempregados, viúvas e órfãos dos membros falecidos, despesas de funeral, etc. Numa era como a nossa, quando os pobres ficam entre a espada cancerosa da indústria dos seguros e a parede do serviço público de saúde e assistência, que rapidamente se evapora, este propósito da sociedade secreta bem poderia recuperar todo o seu atractivo. (As lojas maçónicas foram organizadas nesta base, bem como os primeiros sindicatos ilegais e as "corporações de artífices" para trabalhadores e artesãos.) Um outro propósito universal de tais sociedades era evidentemente a convivialidade, e em especial os banquetes – mas mesmo este passatempo aparentemente inócuo pode revestir implicações insurreccionais. Nas várias revoluções francesas, por exemplo, as confrarias gastronómicas desempenhavam frequentemente o papel das organizações radicais quando todas as restantes formas de encontros públicos haviam sido banidas.[…]A estrita regra tradicional do segredo também precisa de ser modificada. Hoje em dia tudo o que escape ao olhar idiota da publicidade já é virtualmente um segredo. A maior parte das gentes modernas parece ser incapaz de crer na realidade de algo que nunca viu na televisão – por conseguinte, escapar ao televisionamento é já ser quase invisível. Além disso, aquilo que é visto através da mediação dos media torna-se de certa forma irreal e perde o seu poder. […] Em contraste, talvez aquilo que não é visto retenha a sua realidade, a sua raiz na vida quotidiana e, portanto, na possibilidade de maravilhamento.[…] Muitas organizações não-autoritárias foram fundadas sobre o dúbio princípio da filiação aberta, que frequentemente conduz a uma preponderância de asnos, idiotas, salteadores, neurótticos e agentes policiais. Se os Tong se organizarem em torno de um interesse especial (nomeadamente um interesse ilegal, ou arriscado, ou marginal) terão certamente o direito de se acomodarem segundo esse princípio de "grupo de afinidade". Se o segredo significar a) evitar a publicidade, e b) vetar possíveis membros, a "sociedade secreta" dificilmente poderá ser acusada de violar os princípios anarquistas. Efectivamente, tais sociedades possuem uma longa e honrosa história no movimento anti-autoritário, desde o sonho de Proudhon, reanimar os tribunais nocturnos irregulares como forma de "justiça popular", até aos vários esquemas de Bakunine e à coluna de Durrutti. Não deveríamos permitir que os historiadores marxistas nos convençam de que tais expedientes são "primitivos" e foram, portanto, ultrapassados pela "História". O carácter absoluto da "História" é, quando muito, uma proposição dúbia. Não estamos interessados num retorno ao primitivo, mas num retorno do primitivo, atendendo a que o primitivo é o reprimido.Nos velhos tempos as sociedades secretas surgiam em espaços e tempos proibidos pelo Estado, i. e., onde e quando as pessoas haviam sido afastadas pela lei. No nosso tempo, as pessoas não são habitualmente afastadas pela lei, mas pela mediação e a alienação. O segredo torna-se assim uma fuga à mediação, ao passo que a convivialidade passa de propósito secundário a primário na "sociedade secreta". Um simples encontro face a face é já uma acção contra as forças que nos oprimem por meio do isolamento, da solidão, pelo transe dos media.Numa sociedade que obriga a uma ruptura esquizóide entre o Trabalho e o Lazer, todos nós experimentámos a trivialização do nosso "tempo livre", tempo que não está organizado como trabalho nem como lazer. ("Férias" significou outrora tempo vago – agora significa tempo organizado e preenchido pelo lazer industrial.) O propósito "secreto" da convivialidade na sociedade secreta transforma-se então na auto-estruturação e autovalorização do tempo livre. Boa parte das festas dedica-se apenas a música em alto volume e bebida em demasia, não porque o apreciemos mas porque o Império do Trabalho imbuiu em nós o sentimento de que tempo vago é tempo perdido. A ideia de convocar uma festa para, digamos, fazer uma colcha ou cantar madrigais em grupo parece irremediavelmente fora de moda. Mas os Tong modernos acharão simultaneamente necessário e agradável retirar o tempo livre ao domínio do mundo das mercadorias e devotá-lo à criação partilhada, à brincadeira.Conheço já diversas sociedades organizadas nestes termos, mas não irei certamente quebrar o seu segredo ao discuti-las aqui. Existem algumas pessoas que não precisam de quinze segundos no Jornal da Noite para validarem a sua existência. Evidentemente, de qualquer forma a imprensa e a rádio marginais (os únicos media em que este pequeno sermão irá aparecer) são praticamente invisíveis – certamente ainda muito opacas ao olhar do Controlo. No entanto, há o princípio da coisa: os segredos devem ser respeitados. Nem todos precisam saber tudo! Aquilo que mais falta ao século XX – e aquilo de que ele mais precisa – é tacto. Queremos substituir a epistemologia democrática pela epistemologia dadá. Ou se está no mesmo barco ou não se está no barco.[…] O imediatismo não se preocupa com as relações de poder; nem deseja ser governado, nem governar. Por conseguinte, o Tong contemporâneo não aprecia a degenerescência das instituições em conspirações. Pretende poder para os seus próprios propósitos de mutualidade. É uma livre-associação de indivíduos que se escolheram mutuamente para sujeitos da generosidade do grupo, para a sua "expansividade" (para usarmos um termo Sufi). Se isto resulta em algum tipo de "elitismo", pois que o seja.Se o Imediatismo começa com grupos de amigos que tentam não apenas vencer o isolamento mas também melhorar a vida de cada um, em breve pretenderá assumir uma forma mais complexa – núcleos de aliados mutuamente escolhidos, trabalhando (brincando) para ocupar cada vez mais tempo e espaço fora de todos os controlos e estruturas mediadas. Depois quererá transformar-se numa rede horizontal de semelhantes grupos autónomos – depois, numa "tendência" – depois, num "movimento" – e depois numa rede cinética de zonas autónomas temporárias [T.A.Z.]. Esforçar-se-á finalmente por se tornar no cerne de uma nova sociedade, fazendo-se nascer a si mesma dentro da casca corrupta da velha. Para todos estes propósitos, a sociedade secreta promete fornecer um enquadramento útil de clandestinidade protectora – um manto de invisibilidade que só terá de ser abandonado no caso de um confronto final com a Babilónia da Mediação…Preparemo-nos para as Guerras Tong!»[in Zona Autónoma Temporária: Lisboa, trad. Jorge P. Pires, frenesi, 2000]
fonte: http://hakimbey.blogspot.com/
Cristianismo
Cristianismo
Cristianismo (do grego Xριστός, "Cristo") é uma religião monoteísta[1] centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como são apresentados no Novo Testamento.[2] A fé cristã acredita essencialmente em Jesus como o Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor.[3]
A religião cristã tem três vertentes principais: o Catolicismo, a Ortodoxia Oriental (separada do catolicismo em 1054) e o protestantismo (que surgiu durante a Reforma Protestante do século XIV). O protestantismo é dividido em grupos menores chamados de denominações. Os cristãos acreditam que Jesus Cristo é o Filho de Deus que se tornou homem e o Salvador da humanidade, morrendo pelos pecados do mundo. Geralmente, os cristãos se referem a Jesus como o Cristo ou o Messias.
Os seguidores do cristianismo, conhecidos como cristãos,[4] acreditam que Jesus seja o Messias profetizado na Bíblia Hebraica (a parte das escrituras comum tanto ao cristianismo quanto ao judaísmo). A teologia cristã ortodoxa alega que Jesus teria sofrido, morrido e ressuscitado para abrir o caminho para o céu aos humanos;[5] Os cristãos acreditam que Jesus teria ascendido aos céus, e a maior parte das denominações ensina que Jesus irá retornar para julgar todos os seres humanos, vivos e mortos, e conceder a imortalidade aos seus seguidores. Jesus também é considerado para os cristãos como modelo de uma vida virtuosa, e tanto como o revelador quanto a encarnação de Deus.[6] Os cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de Evangelho ("Boas Novas"), e por isto referem-se aos primeiros relatos de seu ministério como evangelhos.
O cristianismo se iniciou como uma seita judaica[7][8] e, como tal, da mesma maneira que o próprio judaísmo ou o islamismo, é classificada como uma religião abraâmica (ver também judaico-cristão).[9][10][11] Após se originar no Mediterrâneo Oriental, rapidamente se expandiu em abrangência e influência, ao longo de poucas décadas; no século IV já havia se tornado a religião dominante no Império Romano. Durante a Idade Média a maior parte da Europa foi cristianizada, e os cristãos também seguiram sendo uma significante minoria religiosa no Oriente Médio, Norte da África e em partes da Índia.[12] Depois da Era das Descobertas, através de trabalho missionário e da colonização, o cristianismo se espalhou para as Américas e pelo resto do mundo.
O cristianismo desempenhou um papel de destaque na formação da civilização ocidental pelo menos desde o século IV.[13] A primeira nação a adotar o cristianismo como religião oficial foi a Armênia, fundando a Igreja Ortodoxa Armênia, em 301.
No início do século XXI o cristianismo conta com entre 1,5 bilhão[14][15] e 2,1 bilhões de seguidores,[16] representando cerca de um quarto a um terço da população mundial, e é uma das maiores religiões do mundo.[17] O cristianismo também é a religião de Estado de diversos países.[
Principais crenças
Embora existam diferenças entre os cristãos sobre a forma como interpretam certos aspectos da sua religião, é também possível apresentar um conjunto de crenças que são partilhadas pela maioria deles.
[editar] Monoteísmo
O cristianismo herdou do judaísmo a crença na existência de um único Deus, criador do universo e que pode intervir sobre ele. Os seus atributos mais importantes são por isso a onipotência, a onipresença e onisciência.
Outro dos atributos mais importantes de Deus, referido várias vezes ao longo do Novo Testamento, é o amor: Deus ama todas as pessoas e estas podem estabelecer uma relação pessoal com ele através da oração.
A maioria das denominações cristãs professa crer na Santíssima Trindade, isto é, que Deus é um ser eterno que existe como três pessoas eternas, distintas e indivisíveis: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
A doutrina das denominações cristãs difere do monoteísmo judaico visto que no judaísmo não existem três pessoas da Divindade, há apenas um único Deus, e o Messias que virá será um homem, descendente do rei David
Jesus
Outro ponto crucial para os cristãos é o da centralidade da figura de Jesus Cristo. Os cristãos reconhecem a importância dos ensinamentos morais de Jesus, entre os quais salientam o amor a Deus e o amor ao próximo, e consideram a sua vida como um exemplo a seguir. O cristianismo reconhece Jesus como o Filho de Deus que veio à Terra libertar os seres humanos do pecado através da sua morte na cruz e da sua ressurreição, embora variem entre si quanto ao significado desta salvação e como ela se dará. Para a maioria dos cristãos, Jesus é completamente divino e completamente humano. Há no entanto, uma recorrente discussão sobre a divindade de Jesus. Aqueles que questionam a divindade de Cristo argumentam que ele jamais teria afirmado isso expressamente. Os que defendem a divindade de Cristo, por sua vez, valem-se de versículos que, através da postura de Jesus e dentro do próprio contexto cultural judaico da época, deixariam clara sua condição divina[19][20].
[editar] A salvação
O cristianismo acredita que a fé em Jesus Cristo proporciona aos seres humanos a salvação e a vida eterna.«Pois Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.» (João 3:16)[21]
[editar] A vida depois da morte
A visão de determinadas religiões cristãs sobre a vida depois da morte envolve, de uma maneira geral, a crença no céu e no inferno. A Igreja Católica considera que para além destas duas realidades existe o purgatório, um estado de purificação onde ficam as almas que morreram em estado de graça, mas que cometeram pecados.
[editar] A Igreja
O cristianismo acredita na Igreja (ekklesia), palavra de origem grega que significa "assembleia", entendida como a comunidade de todos os cristãos e como corpo místico de Cristo presente na Terra e sua continuidade. As principais igrejas ligadas ao cristianismo são: a Igreja Católica, as Igrejas Protestantes e a Igreja Ortodoxa.
[editar] Diferenças nas crenças
[editar] O Credo de Niceia
O Credo de Niceia, formulado nos concílios de Niceia e Constantinopla, foi ratificado como credo universal da Cristandade no Concílio de Éfeso de 431. Os cristãos ortodoxos orientais não incluem no credo a cláusula filioque, que foi acrescentada pela Igreja Católica mais tarde.
As crenças principais declaradas no Credo de Niceia são:
A crença na Trindade;
Jesus é simultaneamente divino e humano;
A salvação é possível através da pessoa, vida e obra de Jesus;
Jesus Cristo foi concebido de forma virginal, foi crucificado, ressuscitou, ascendeu ao céu e virá de novo à Terra;
A remissão dos pecados é possível através do baptismo (br-batismo);
Os mortos ressuscitarão.
Na altura em que foi formulado, o Credo de Niceia procurou lidar directamente com crenças que seriam consideradas heréticas, como o arianismo, que negava que o Pai e Filho eram da mesma substância, ou o gnosticismo.
A maior parte das igrejas protestantes partilham com a Igreja Católica a crença no Credo de Niceia.
[editar] Outros textos considerados sagrados
Alguns cristãos consideram que determinados escritos, para além dos que fazem parte da Bíblia, foram divinamente inspirados. Os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias atribuem a três livros a qualidade de terem sido inspirados por Deus; esses livros são o Livro de Mórmon, a Doutrina e Convénios e a Pérola de Grande Valor. Para os Adventistas do Sétimo Dia os escritos de Ellen G. White são uma manifestação profética que, contudo, não se encontra ao mesmo nível que a Bíblia.
[editar] Origem
Ver artigo principal: História do cristianismo
Segundo a religião judaica, o Messias, um descendente do Rei Davi, iria um dia aparecer e restaurar o Reino de Israel. Na Palestina, por volta de 26 d.C., Jesus Cristo, nascido na cidade de Belém na Galileia começou a pregar uma nova doutrina e atrair seguidores, sendo aclamado por alguns como o Messias. Jesus foi rejeitado, tido por apóstata pelas autoridades judaicas. Foi condenado por blasfémia e executado pelos romanos como um líder rebelde. Seus seguidores enfrentaram dura oposição político-religiosa, tendo sido perseguidos e martirizados, pelos líderes religiosos judeus, e, mais tarde, pelo Estado Romano.
Com a morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos, principais testemunhas da sua vida, reúnem-se numa comunidade religiosa composta essencialmente por judeus e centrada na cidade de Jerusalém. Esta comunidade praticava a comunhão dos bens, celebrava a "partilha do pão" em memória da última refeição tomada por Jesus e administrava o batismo aos novos convertidos. A partir de Jerusalém, os apóstolos partiram para pregar a nova mensagem, anunciando a nova religião inclusive aos que eram rejeitados pelo judaísmo oficial. Assim, Filipe prega aos Samaritanos, o eunuco da rainha da Etiópia é baptizado, bem como o centurião Cornélio. Em Antioquia, os discípulos abordam pela primeira vez os pagãos e passam a ser conhecidos como cristãos.
Paulo de Tarso não se contava entre os apóstolos originais, ele era um judeu fariseu que perseguiu inicialmente os primeiros cristãos. No entanto, ele tornou-se depois um cristão e um dos seus maiores, senão o maior missionário depois de Jesus Cristo. Boa parte do Novo Testamento foi escrito ou por ele (as epístolas) ou por seus cooperadores (o evangelho de Lucas e os actos dos apóstolos). Paulo afirmou que a salvação dependia da fé em Cristo. Entre 44 e 58 ele fez três grandes viagens missionárias que levaram a nova doutrina aos gentios e judeus da Ásia Menor e de vários pontos da Europa, entre eles Roma.
Nas primeiras comunidades cristãs a coabitação entre os cristãos oriundos do paganismo e os oriundos do judaísmo gerava por vezes conflitos. Alguns dos últimos permaneciam fiéis às restrições alimentares e recusavam-se a sentar-se à mesa com os primeiros. Na Assembleia de Jerusalém, em 48, decide-se que os cristãos ex-pagãos não serão sujeitos à circuncisão, mas para se sentarem à mesa com os cristãos de origem judaica devem abster-se de comer carne com sangue ou carne sacrificada aos ídolos. Consagra-se assim a primeira ruptura com o judaísmo.
Na época, a visão de mundo monoteísta do judaísmo era atrativa para alguns dos cidadãos do mundo romano, mas costumes como a circuncisão, as regras de alimentação incômodas, e a forte identificação dos judeus como um grupo étnico (e não apenas religioso) funcionavam como barreiras dificultando a conversão dos homens. Através da influência de Paulo, o cristianismo simplificou os costumes judaicos aos quais os gentios não se habituavam enquanto manteve os motivos de atração. Alguns autores defendem que essa mudança pode ter sido um dos grandes motivos da rápida expansão do cristianismo.
Outros autores entendem a ruptura com os ritos judaicos mais como uma consequência da expansão do cristianismo entre os não-judeus do que como sua causa. Estes invocam outros fatores e características como causa da expansão cristã, por exemplo: a natureza da fé cristã que propõe que a mensagem de Deus destina-se a toda a humanidade e não apenas ao seu povo escolhido; a fuga da perseguição religiosa empreendida inicialmente por judeus conservadores, e posteriormente pelo Estado Romano; o espírito missionário dos primeiros cristãos com sua determinação em divulgar o que Cristo havia ensinado a tantas pessoas quantas conseguissem.
A narrativa da perseguição religiosa, da dispersão dela decorrente, da expansão do cristianismo entre não-judeus e da subsequente abolição da obrigatoriedade dos ritos judaicos pode ser lida no livro de Atos dos Apóstolos. De resto, os cristãos adotam as regras e os princípios do Antigo Testamento, livro sagrado dos Judeus.
Em Junho do ano 66 inicia-se a revolta judaica. Em Setembro do mesmo ano a comunidade cristã de Jerusalém decide separar-se dos judeus insurrectos, seguindo a advertência dada por Jesus de que quando Jerusalém fosse cercada por exércitos a desolação dela estaria próxima, e exila-se em Pela, na Transjordânia, o que representa o segundo momento de ruptura com o judaísmo.
Após a derrota dos judeus em 70, cristãos e outros grupos judeus trilham caminhos cada vez mais separados. Para o cristianismo o período que se abre em 70 e que segue até aproximadamente 135 caracteriza-se pela definição da moral e fé cristã, bem como de organização da hierarquia e da liturgia. No Oriente, estabelece-se o episcopado monárquico: a comunidade é chefiada por um bispo, rodeado pelo seu presbitério e assistido por diáconos.
Gradualmente, o sucesso do cristianismo junto das elites romanas fez deste um rival da religião estabelecida. Embora desde 64, quando Nero mandou supliciar os cristãos de Roma, se tivessem verificado perseguições ao cristianismo, estas eram irregulares. As perseguições organizadas contra os cristãos surgem a partir do século II: em 112 Trajano fixa o procedimento contra os cristãos. Para além de Trajano, as principais perseguições foram ordenadas pelos imperadores Marco Aurélio, Décio, Valeriano e Diocleciano. Os cristãos eram acusados de superstição e de ódio ao género humano. Se fossem cidadãos romanos eram decapitados; se não, podiam ser atirados às feras ou enviados para trabalhar nas minas.
Durante a segunda metade do século II assiste-se também ao desenvolvimento das primeiras heresias. Tatiano, um cristão de origem síria convertido em Roma, cria uma seita gnóstica que reprova o casamento e que celebrava a eucaristia com água em vez de vinho. Marcião rejeitava o Antigo Testamento, opondo o Deus vingador dos judeus, ao Deus bondoso do Novo Testamento, apresentado por Cristo; ele elaborou um Livro Sagrado feito a partir de passagens retiradas do Evangelho de Lucas e das epístolas de Paulo. À medida que o cristianismo criava raízes mais fortes na parte ocidental do Império Romano, o latim passa a ser usado como língua sagrada (nas comunidades do Oriente usava-se o grego).
Durante o século III, com o relaxamento da intolerância aos cristãos, a Igreja havia conseguido muitos donativos e bens[22]. Porém com o fortalecimento da perseguição pelo imperador Diocleciano, esses bens foram confiscados.[22] Posteriormente com a derrota de Diocleciano e a ascensão do imperador romano Constantino, o cristianismo foi legalizado pelo Édito de Milão de 313, e os bens da Igreja devolvidos.[22]
A questão da conversão de Constantino ao Cristianismo é uma tema de profundo debate entre os historiadores, mas em geral aceita-se que a sua conversão ocorreu gradualmente. Como maneira de fazer penitência[22][23], Constantino ordenou a construção de diversas basílicas e outros templos e as doou à Igreja[22]. Dentre elas, uma basílica em Roma no local onde, segundo a Tradição, o apóstolo Pedro estava sepultado e, influenciado pela sua mãe, a imperatriz Helena, ordena a construção em Jerusalém da Basílica do Santo Sepulcro e da Igreja da Natividade em Belém.
Para evitar mais divisões na Igreja, Constantino convocou o Primeiro Concílio de Niceia em 325, onde se definiu o Credo Niceno, uma manifestação mínima da crença partilhada pelos bispos cristãos.[22]
Mais tarde, nos anos de 391 e 392, o imperador Teodósio I combate o paganismo, proibindo o seu culto e proclamando o cristianismo religião oficial do Império Romano.
O lado ocidental do Império cairia em 476, ano da deposição do último imperador romano pelo "bárbaro" germânico Odoacro, mas o cristianismo permaneceria triunfante em grande parte da Europa, até porque alguns bárbaros já estavam convertidos ao cristianismo ou viriam a converter-se nas décadas seguintes. O Império Romano teve desta forma um papel instrumental na expansão do cristianismo.
Do mesmo modo, o cristianismo teve um papel proeminente na manutenção da civilização europeia. A Igreja, única organização que não se desintegrou no processo de dissolução da parte ocidental do império, começou lentamente a tomar o lugar das instituições romanas ocidentais, chegando mesmo a negociar a segurança de Roma durante as invasões do século V. A Igreja também manteve o que restou de força intelectual, especialmente através da vida monástica.
Embora fosse unida linguisticamente, a parte ocidental do Império Romano jamais obtivera a mesma coesão da parte oriental (grega). Havia nele um grande número de culturas diferentes que haviam sido assimiladas apenas de maneira incompleta pela cultura romana. Mas enquanto os bárbaros invadiam, muitos passaram a comungar da fé cristã. Por volta dos séculos IV e X, todo o território que antes pertencera ao ocidente romano havia se convertido ao cristianismo e era liderado pelo Papa. Missionários cristãos avançaram ainda mais ao norte da Europa, chegando a terras jamais conquistadas por Roma, obtendo a integração definitiva dos povos germânicos e eslavos.
Cristianismo (do grego Xριστός, "Cristo") é uma religião monoteísta[1] centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como são apresentados no Novo Testamento.[2] A fé cristã acredita essencialmente em Jesus como o Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor.[3]
A religião cristã tem três vertentes principais: o Catolicismo, a Ortodoxia Oriental (separada do catolicismo em 1054) e o protestantismo (que surgiu durante a Reforma Protestante do século XIV). O protestantismo é dividido em grupos menores chamados de denominações. Os cristãos acreditam que Jesus Cristo é o Filho de Deus que se tornou homem e o Salvador da humanidade, morrendo pelos pecados do mundo. Geralmente, os cristãos se referem a Jesus como o Cristo ou o Messias.
Os seguidores do cristianismo, conhecidos como cristãos,[4] acreditam que Jesus seja o Messias profetizado na Bíblia Hebraica (a parte das escrituras comum tanto ao cristianismo quanto ao judaísmo). A teologia cristã ortodoxa alega que Jesus teria sofrido, morrido e ressuscitado para abrir o caminho para o céu aos humanos;[5] Os cristãos acreditam que Jesus teria ascendido aos céus, e a maior parte das denominações ensina que Jesus irá retornar para julgar todos os seres humanos, vivos e mortos, e conceder a imortalidade aos seus seguidores. Jesus também é considerado para os cristãos como modelo de uma vida virtuosa, e tanto como o revelador quanto a encarnação de Deus.[6] Os cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de Evangelho ("Boas Novas"), e por isto referem-se aos primeiros relatos de seu ministério como evangelhos.
O cristianismo se iniciou como uma seita judaica[7][8] e, como tal, da mesma maneira que o próprio judaísmo ou o islamismo, é classificada como uma religião abraâmica (ver também judaico-cristão).[9][10][11] Após se originar no Mediterrâneo Oriental, rapidamente se expandiu em abrangência e influência, ao longo de poucas décadas; no século IV já havia se tornado a religião dominante no Império Romano. Durante a Idade Média a maior parte da Europa foi cristianizada, e os cristãos também seguiram sendo uma significante minoria religiosa no Oriente Médio, Norte da África e em partes da Índia.[12] Depois da Era das Descobertas, através de trabalho missionário e da colonização, o cristianismo se espalhou para as Américas e pelo resto do mundo.
O cristianismo desempenhou um papel de destaque na formação da civilização ocidental pelo menos desde o século IV.[13] A primeira nação a adotar o cristianismo como religião oficial foi a Armênia, fundando a Igreja Ortodoxa Armênia, em 301.
No início do século XXI o cristianismo conta com entre 1,5 bilhão[14][15] e 2,1 bilhões de seguidores,[16] representando cerca de um quarto a um terço da população mundial, e é uma das maiores religiões do mundo.[17] O cristianismo também é a religião de Estado de diversos países.[
Principais crenças
Embora existam diferenças entre os cristãos sobre a forma como interpretam certos aspectos da sua religião, é também possível apresentar um conjunto de crenças que são partilhadas pela maioria deles.
[editar] Monoteísmo
O cristianismo herdou do judaísmo a crença na existência de um único Deus, criador do universo e que pode intervir sobre ele. Os seus atributos mais importantes são por isso a onipotência, a onipresença e onisciência.
Outro dos atributos mais importantes de Deus, referido várias vezes ao longo do Novo Testamento, é o amor: Deus ama todas as pessoas e estas podem estabelecer uma relação pessoal com ele através da oração.
A maioria das denominações cristãs professa crer na Santíssima Trindade, isto é, que Deus é um ser eterno que existe como três pessoas eternas, distintas e indivisíveis: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
A doutrina das denominações cristãs difere do monoteísmo judaico visto que no judaísmo não existem três pessoas da Divindade, há apenas um único Deus, e o Messias que virá será um homem, descendente do rei David
Jesus
Outro ponto crucial para os cristãos é o da centralidade da figura de Jesus Cristo. Os cristãos reconhecem a importância dos ensinamentos morais de Jesus, entre os quais salientam o amor a Deus e o amor ao próximo, e consideram a sua vida como um exemplo a seguir. O cristianismo reconhece Jesus como o Filho de Deus que veio à Terra libertar os seres humanos do pecado através da sua morte na cruz e da sua ressurreição, embora variem entre si quanto ao significado desta salvação e como ela se dará. Para a maioria dos cristãos, Jesus é completamente divino e completamente humano. Há no entanto, uma recorrente discussão sobre a divindade de Jesus. Aqueles que questionam a divindade de Cristo argumentam que ele jamais teria afirmado isso expressamente. Os que defendem a divindade de Cristo, por sua vez, valem-se de versículos que, através da postura de Jesus e dentro do próprio contexto cultural judaico da época, deixariam clara sua condição divina[19][20].
[editar] A salvação
O cristianismo acredita que a fé em Jesus Cristo proporciona aos seres humanos a salvação e a vida eterna.«Pois Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.» (João 3:16)[21]
[editar] A vida depois da morte
A visão de determinadas religiões cristãs sobre a vida depois da morte envolve, de uma maneira geral, a crença no céu e no inferno. A Igreja Católica considera que para além destas duas realidades existe o purgatório, um estado de purificação onde ficam as almas que morreram em estado de graça, mas que cometeram pecados.
[editar] A Igreja
O cristianismo acredita na Igreja (ekklesia), palavra de origem grega que significa "assembleia", entendida como a comunidade de todos os cristãos e como corpo místico de Cristo presente na Terra e sua continuidade. As principais igrejas ligadas ao cristianismo são: a Igreja Católica, as Igrejas Protestantes e a Igreja Ortodoxa.
[editar] Diferenças nas crenças
[editar] O Credo de Niceia
O Credo de Niceia, formulado nos concílios de Niceia e Constantinopla, foi ratificado como credo universal da Cristandade no Concílio de Éfeso de 431. Os cristãos ortodoxos orientais não incluem no credo a cláusula filioque, que foi acrescentada pela Igreja Católica mais tarde.
As crenças principais declaradas no Credo de Niceia são:
A crença na Trindade;
Jesus é simultaneamente divino e humano;
A salvação é possível através da pessoa, vida e obra de Jesus;
Jesus Cristo foi concebido de forma virginal, foi crucificado, ressuscitou, ascendeu ao céu e virá de novo à Terra;
A remissão dos pecados é possível através do baptismo (br-batismo);
Os mortos ressuscitarão.
Na altura em que foi formulado, o Credo de Niceia procurou lidar directamente com crenças que seriam consideradas heréticas, como o arianismo, que negava que o Pai e Filho eram da mesma substância, ou o gnosticismo.
A maior parte das igrejas protestantes partilham com a Igreja Católica a crença no Credo de Niceia.
[editar] Outros textos considerados sagrados
Alguns cristãos consideram que determinados escritos, para além dos que fazem parte da Bíblia, foram divinamente inspirados. Os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias atribuem a três livros a qualidade de terem sido inspirados por Deus; esses livros são o Livro de Mórmon, a Doutrina e Convénios e a Pérola de Grande Valor. Para os Adventistas do Sétimo Dia os escritos de Ellen G. White são uma manifestação profética que, contudo, não se encontra ao mesmo nível que a Bíblia.
[editar] Origem
Ver artigo principal: História do cristianismo
Segundo a religião judaica, o Messias, um descendente do Rei Davi, iria um dia aparecer e restaurar o Reino de Israel. Na Palestina, por volta de 26 d.C., Jesus Cristo, nascido na cidade de Belém na Galileia começou a pregar uma nova doutrina e atrair seguidores, sendo aclamado por alguns como o Messias. Jesus foi rejeitado, tido por apóstata pelas autoridades judaicas. Foi condenado por blasfémia e executado pelos romanos como um líder rebelde. Seus seguidores enfrentaram dura oposição político-religiosa, tendo sido perseguidos e martirizados, pelos líderes religiosos judeus, e, mais tarde, pelo Estado Romano.
Com a morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos, principais testemunhas da sua vida, reúnem-se numa comunidade religiosa composta essencialmente por judeus e centrada na cidade de Jerusalém. Esta comunidade praticava a comunhão dos bens, celebrava a "partilha do pão" em memória da última refeição tomada por Jesus e administrava o batismo aos novos convertidos. A partir de Jerusalém, os apóstolos partiram para pregar a nova mensagem, anunciando a nova religião inclusive aos que eram rejeitados pelo judaísmo oficial. Assim, Filipe prega aos Samaritanos, o eunuco da rainha da Etiópia é baptizado, bem como o centurião Cornélio. Em Antioquia, os discípulos abordam pela primeira vez os pagãos e passam a ser conhecidos como cristãos.
Paulo de Tarso não se contava entre os apóstolos originais, ele era um judeu fariseu que perseguiu inicialmente os primeiros cristãos. No entanto, ele tornou-se depois um cristão e um dos seus maiores, senão o maior missionário depois de Jesus Cristo. Boa parte do Novo Testamento foi escrito ou por ele (as epístolas) ou por seus cooperadores (o evangelho de Lucas e os actos dos apóstolos). Paulo afirmou que a salvação dependia da fé em Cristo. Entre 44 e 58 ele fez três grandes viagens missionárias que levaram a nova doutrina aos gentios e judeus da Ásia Menor e de vários pontos da Europa, entre eles Roma.
Nas primeiras comunidades cristãs a coabitação entre os cristãos oriundos do paganismo e os oriundos do judaísmo gerava por vezes conflitos. Alguns dos últimos permaneciam fiéis às restrições alimentares e recusavam-se a sentar-se à mesa com os primeiros. Na Assembleia de Jerusalém, em 48, decide-se que os cristãos ex-pagãos não serão sujeitos à circuncisão, mas para se sentarem à mesa com os cristãos de origem judaica devem abster-se de comer carne com sangue ou carne sacrificada aos ídolos. Consagra-se assim a primeira ruptura com o judaísmo.
Na época, a visão de mundo monoteísta do judaísmo era atrativa para alguns dos cidadãos do mundo romano, mas costumes como a circuncisão, as regras de alimentação incômodas, e a forte identificação dos judeus como um grupo étnico (e não apenas religioso) funcionavam como barreiras dificultando a conversão dos homens. Através da influência de Paulo, o cristianismo simplificou os costumes judaicos aos quais os gentios não se habituavam enquanto manteve os motivos de atração. Alguns autores defendem que essa mudança pode ter sido um dos grandes motivos da rápida expansão do cristianismo.
Outros autores entendem a ruptura com os ritos judaicos mais como uma consequência da expansão do cristianismo entre os não-judeus do que como sua causa. Estes invocam outros fatores e características como causa da expansão cristã, por exemplo: a natureza da fé cristã que propõe que a mensagem de Deus destina-se a toda a humanidade e não apenas ao seu povo escolhido; a fuga da perseguição religiosa empreendida inicialmente por judeus conservadores, e posteriormente pelo Estado Romano; o espírito missionário dos primeiros cristãos com sua determinação em divulgar o que Cristo havia ensinado a tantas pessoas quantas conseguissem.
A narrativa da perseguição religiosa, da dispersão dela decorrente, da expansão do cristianismo entre não-judeus e da subsequente abolição da obrigatoriedade dos ritos judaicos pode ser lida no livro de Atos dos Apóstolos. De resto, os cristãos adotam as regras e os princípios do Antigo Testamento, livro sagrado dos Judeus.
Em Junho do ano 66 inicia-se a revolta judaica. Em Setembro do mesmo ano a comunidade cristã de Jerusalém decide separar-se dos judeus insurrectos, seguindo a advertência dada por Jesus de que quando Jerusalém fosse cercada por exércitos a desolação dela estaria próxima, e exila-se em Pela, na Transjordânia, o que representa o segundo momento de ruptura com o judaísmo.
Após a derrota dos judeus em 70, cristãos e outros grupos judeus trilham caminhos cada vez mais separados. Para o cristianismo o período que se abre em 70 e que segue até aproximadamente 135 caracteriza-se pela definição da moral e fé cristã, bem como de organização da hierarquia e da liturgia. No Oriente, estabelece-se o episcopado monárquico: a comunidade é chefiada por um bispo, rodeado pelo seu presbitério e assistido por diáconos.
Gradualmente, o sucesso do cristianismo junto das elites romanas fez deste um rival da religião estabelecida. Embora desde 64, quando Nero mandou supliciar os cristãos de Roma, se tivessem verificado perseguições ao cristianismo, estas eram irregulares. As perseguições organizadas contra os cristãos surgem a partir do século II: em 112 Trajano fixa o procedimento contra os cristãos. Para além de Trajano, as principais perseguições foram ordenadas pelos imperadores Marco Aurélio, Décio, Valeriano e Diocleciano. Os cristãos eram acusados de superstição e de ódio ao género humano. Se fossem cidadãos romanos eram decapitados; se não, podiam ser atirados às feras ou enviados para trabalhar nas minas.
Durante a segunda metade do século II assiste-se também ao desenvolvimento das primeiras heresias. Tatiano, um cristão de origem síria convertido em Roma, cria uma seita gnóstica que reprova o casamento e que celebrava a eucaristia com água em vez de vinho. Marcião rejeitava o Antigo Testamento, opondo o Deus vingador dos judeus, ao Deus bondoso do Novo Testamento, apresentado por Cristo; ele elaborou um Livro Sagrado feito a partir de passagens retiradas do Evangelho de Lucas e das epístolas de Paulo. À medida que o cristianismo criava raízes mais fortes na parte ocidental do Império Romano, o latim passa a ser usado como língua sagrada (nas comunidades do Oriente usava-se o grego).
Durante o século III, com o relaxamento da intolerância aos cristãos, a Igreja havia conseguido muitos donativos e bens[22]. Porém com o fortalecimento da perseguição pelo imperador Diocleciano, esses bens foram confiscados.[22] Posteriormente com a derrota de Diocleciano e a ascensão do imperador romano Constantino, o cristianismo foi legalizado pelo Édito de Milão de 313, e os bens da Igreja devolvidos.[22]
A questão da conversão de Constantino ao Cristianismo é uma tema de profundo debate entre os historiadores, mas em geral aceita-se que a sua conversão ocorreu gradualmente. Como maneira de fazer penitência[22][23], Constantino ordenou a construção de diversas basílicas e outros templos e as doou à Igreja[22]. Dentre elas, uma basílica em Roma no local onde, segundo a Tradição, o apóstolo Pedro estava sepultado e, influenciado pela sua mãe, a imperatriz Helena, ordena a construção em Jerusalém da Basílica do Santo Sepulcro e da Igreja da Natividade em Belém.
Para evitar mais divisões na Igreja, Constantino convocou o Primeiro Concílio de Niceia em 325, onde se definiu o Credo Niceno, uma manifestação mínima da crença partilhada pelos bispos cristãos.[22]
Mais tarde, nos anos de 391 e 392, o imperador Teodósio I combate o paganismo, proibindo o seu culto e proclamando o cristianismo religião oficial do Império Romano.
O lado ocidental do Império cairia em 476, ano da deposição do último imperador romano pelo "bárbaro" germânico Odoacro, mas o cristianismo permaneceria triunfante em grande parte da Europa, até porque alguns bárbaros já estavam convertidos ao cristianismo ou viriam a converter-se nas décadas seguintes. O Império Romano teve desta forma um papel instrumental na expansão do cristianismo.
Do mesmo modo, o cristianismo teve um papel proeminente na manutenção da civilização europeia. A Igreja, única organização que não se desintegrou no processo de dissolução da parte ocidental do império, começou lentamente a tomar o lugar das instituições romanas ocidentais, chegando mesmo a negociar a segurança de Roma durante as invasões do século V. A Igreja também manteve o que restou de força intelectual, especialmente através da vida monástica.
Embora fosse unida linguisticamente, a parte ocidental do Império Romano jamais obtivera a mesma coesão da parte oriental (grega). Havia nele um grande número de culturas diferentes que haviam sido assimiladas apenas de maneira incompleta pela cultura romana. Mas enquanto os bárbaros invadiam, muitos passaram a comungar da fé cristã. Por volta dos séculos IV e X, todo o território que antes pertencera ao ocidente romano havia se convertido ao cristianismo e era liderado pelo Papa. Missionários cristãos avançaram ainda mais ao norte da Europa, chegando a terras jamais conquistadas por Roma, obtendo a integração definitiva dos povos germânicos e eslavos.
Zoroastrismo
Zoroastrismo
O zoroastrismo, também chamado de masdeísmo, mitraísmo ou parsismo, é uma religião monoteísta fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É considerada como a primeira manifestação de um monoteísmo ético. De acordo com os historiadores da religião, algumas das suas concepções religiosas, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
Tem seus fundamentos fixados no Avesta e admite a existência de duas divindades (dualismo), representando o Bem (Aúra-Masda) e o Mal (Arimã), de cuja luta venceria o Bem.
História
[editar] A religião pré-zoroastriana
A religião do Irã antes do surgimento do zoroastrismo apresentava semelhanças com a da Índia Védica, dado que as populações que habitavam estes espaços descendiam de um mesmo povo, os arianos (ou indo-iranianos). Era uma religião politeísta, na qual o sacrifício dos animais e o consumo de uma bebida chamada haoma (em sânscrito: soma) desempenhavam nela um importante papel.
Os seres divinos enquadravam-se em duas classes, ambas de características positivas: os ahuras (em sânscrito: asuras; "senhores") e os daivas (em sânscrito: deivas; "deuses").
[editar] Zoroastro
Zoroastro viveu na Ásia Central, num território que compreendia o que é hoje a parte oriental do Irã e a região ocidental do Afeganistão. Não existe um consenso em torno do período em que viveu; os acadêmicos tem situado a sua vida entre 1750 e 1000 a.C.. Sobre a sua vida existem poucos dados precisos, sendo as lacunas preenchidas por lendas.
De acordo com os relatos tradicionais zoroastrianos, Zoroastro viveu no século VI a.C., pertencendo ao clã Spitama, sendo filho de Pourushaspa e de Dugdhova. Era o sacerdote do culto dedicado a um determinado ahura. Foi casado duas vezes e teve vários filhos. Faleceu aos setenta e sete anos assassinado por um sacerdote.
Aos trinta anos, enquanto participava num ritual de purificação num rio, Zaratustra viu um ser de luz que se apresentou como sendo Vohu Manah ("Bom Pensamento") e que o conduziu até à presença de Ahura Mazda (Deus) e de outros cinco seres luminosos, os Amesha Spentas, sendo este o primeiro de uma série de encontros com Ahura Mazda, que lhe revelou a sua mensagem.
As autoridades civis e religiosas opunham-se às doutrinas de Zoroastro. Após doze anos de pregação, Zoroastro abandonou a sua região natal e fixou-se na corte do rei Vishtaspa na Báctria (região que se encontra no atual Afeganistão). Este rei e sua esposa, a rainha Hutosa, converteram-se à doutrina de Zoroastro e o zoroastrismo foi declarado como religião oficial do reino.
O principal documento que nos permite conhecer a vida e o pensamento religioso de Zoroastro são os Gathas, dezessete hinos compostos pelo próprio Zoroastro e que constituem a parte mais importante do Avesta ou livro sagrado do zoroastrismo. A linguagem dos Gathas assemelha-se à que é usada no Rig Veda, o que situaria Zoroastro entre 1500-1200 a.C. e não no século VI a.C. Vivia na Idade do Bronze, numa sociedade dominada por uma aristocracia guerreira.
Para alguns investigadores, muito mais do que o fundador de uma nova religião, Zoroastro foi antes um reformador das práticas religiosas indo-iranianas. Ele propôs uma mudança no panteão dominante que ia no sentido do monoteísmo e do dualismo. Na perspectiva de Zoroastro, os ahuras passam a ser vistos como seres que escolheram o bem e os daivas o mal. Na Índia, o percurso seria inverso, com os ahuras a representarem o mal e os daevas o bem.
Zoroastro elevaria Ahura Mazda ("Senhor Sábio") ao estatuto de divindade suprema, criadora do mundo e única digna de adoração.
Outro conceito religioso por ele apresentado foi o dos Amesha Spentas ("Imortais Sagrados"), que podem ser descritos como emanações ou aspectos de Ahura Mazda. Nos Gathas os Amesha Spentas são apresentados de uma forma bastante abstrata; séculos depois eles serão transformados e elevados ao estatuto de divindades. Cada Amesha Spenta foi associado a um aspecto da criação divina.
Os Amesha Spentas são:
Vohu Manah ("Bom Pensamento"): os animais;
Asha Vahishta ("Verdade Perfeita"): o fogo;
Spenta Ameraiti - ("Devoção Benfeitora"): a terra;
Khashathra Vairya - ("Governo Desejável"): o céu e os metais;
Hauravatat ("Plenitude"): a água;
Ameretat ("Imortalidade"): as plantas.
Os Gathas revelam também um pensamento dualista, sobretudo no plano ético, entendido como uma livre escolha entre o bem e o mal. Posteriormente, o dualismo torna-se cosmológico, entendido como uma batalha no mundo entre forças benignas e forças maléficas.
Atualmente os zoroastrianos dividem-se entre o dualismo ético ou o dualismo cosmológico, existindo também outros que aceitam os dois conceitos. Alguns acreditam que Ahura Mazda tem um inimigo chamado Angra Mainyu (ou Ahriman), responsável pela doença, pelos desastres naturais, pela morte e por tudo quanto é negativo. Angra Mainyu não deve ser visto como um deus; ele é antes uma energia negativa que se opõe à energia positiva de Ahura Mazda, tentando destruir tudo o que de bom foi feito por ele (a energia positiva de Deus é chamada de Spenta Mainyu). No final Angra Mainyu será destruído e o bem triunfará. Outros zoroastrianos encaram o dualismo no plano interno de cada pessoa, como a escolha que cada um deve fazer entre o bem e o mal, entre uma mentalidade progressista e uma mentalidade retardatária.
Os zoroastrianos acreditam que Zoroastro é um profeta de Deus, mas não é alvo de particular veneração. Eles acreditam que através dos seus ensinamentos os seres humanos podem aproximar-se de Deus e da ordem natural marcada pelo bem e justiça (asha).
[editar] A época aqueménida
Entre a morte de Zaratustra e a ascensão do Império Aqueménida no século VI a.C. pouco se sabe sobre o zoroastrismo, a não ser que se difundiu por todo o planalto iraniano.
Em 549 a.C. Ciro II derrota Astíages, rei dos Medos, e funda o Império Persa, que unia sob o mesmo ceptro os Medos e os Persas. A dinastia à qual pertencia, os Aqueménidas, adoptará o zoroastrismo como religião oficial do império, mas será tolerante em relação às religiões dos povos que nele vivem. Foi o rei Ciro II (dito O Grande) que libertou os Judeus do seu cativeiro e permitiu o regresso destes à Palestina. Provavelmente o primeiro rei persa que reconheceu oficialmente esta religião foi Dario I, como mostra uma placa de ouro na qual o rei se proclama devoto de Ahura Mazda.
Dario teve que combater um usurpador chamado Gautama, que se fazia passar por um filho de Ciro. Gautama ordenou a destruição de santuários pagãos que seriam restaurados por Dario. Por causa deste comportamento atribui-se por vezes a Gautama a adopção do zoroastrismo.
Os Medos possuíam uma casta ou tribo sacerdotal, conhecida como os Magi, que adoptaram a religião de Zaratustra, não sem introduzir alterações na mensagem original e incorporando antigas concepções religiosas. Os Magi seriam a classe sacerdotal dos três grandes impérios persas. Casavam dentro do seu grupo e expunham os corpos dos mortos às aves de rapina, duas práticas que viriam a ser adoptadas pelos zoroastrianos. Os sacerdotes recuperam os antigos sacrifícios e o uso do haoma. Os Amesha Spentas, inicialmente abstractos no pensamento de Zaratustra, foram personalizados e antigas divindades passaram a ser adoradas. Entre essas divindades (yazatas) estavam o Sol, a Lua, Tishtrya (deus da chuva), Vayu (o vento), Anahita (deusa das águas) e Mitra.
Foram também erigidos grandes templos e altares de fogo ao ar livre. Artaxerxes II (404-358 a.C.) chegou mesmo a ordenar a construção de templos em honra de Anahita nas principais cidades do império. Durante este período foi também criado o calendário zoroastriano e desenvolveu-se o conceito do Saoshyant, segundo o qual um descendente de Zarastustra, nascido de uma virgem, viria para salvar o mundo.
[editar] A época arsácida e sassânida
Com a conquista da Pérsia por Alexandre Magno, em 330 a.C., o zoroastrismo sofreu um duro golpe, tendo a classe sacerdotal sido dizimada e muitos templos destruídos. O incêndio da capital do império, Persépolis, provocaria o desaparecimento de textos da religião conservados na biblioteca da cidade.
Durante o governo dos Selêucidas o zoroastrismo foi respeitado e geraram-se sincretismos entre este e a religião grega (por exemplo, ocorreu uma associação de Zeus a Ahura Mazda). Mas um verdadeiro renascimento do zoroastrismo só começa durante a dinastia dos Partos Arsácidas no século III a.C.. Nesta fase foi compilado o Vendidad, uma parte do Avesta que recolhe textos relacionados com medicina e rituais de pureza.
No período da dinastia Sassânida (224 a.C. - 651 d.C.) o zoroastrismo foi completamente restaurado graças à intervenção de Kartir e de Tansar. O zoroastrismo tornou-se a religião mais comum entre as massas, sendo praticado numa vasta área que ia do Médio Oriente às portas da China. Nesta época assistiu-se à formação de uma verdadeira "Igreja" zoroastriana centrada na Pérsia, foram banidas da prática religiosa as imagens, criou-se o alfabeto avestano e novos textos passam a integrar o Avesta, tais como o Bundahishn e o Denkard. Ao contrário do período Aqueménida, este período ficou marcado pela intolerância em relação a outras religiões, tendo sido promovidas perseguições aos judeus e cristãos. O clero zoroastriano detinha um grande poder e assegurava que cada novo monarca fosse zoroastriano; pesados tributos recaíam sobre a população como forma de sustentar a forma de vida do clero.
[editar] A chegada do islão
Apesar da conversão da Pérsia ao Islão após a conquista dos árabes no século VII, o zoroastrismo sobreviveu em algumas comunidades persas, agrupadas nas cidades de Yazd e Kerman. Os muçulmanos consideraram os zoroastrianos como dhimmis, ou seja, praticantes do monoteísmo (à semelhança dos judeus e dos cristãos) e como tal foram sujeitos a pesados tributos cujo objectivo era estimular a conversão ao Islão.
No século X um grupo de zoroastrianos deixou a Pérsia e fixou-se na Índia, na região do Gujarate. Aqui estabeleceram um comunidade local que recebeu o nome de "Parsi" ("Persas" na língua gujarate) e que permanece naquele território até aos nossos dias. Esta comunidade zoroastriana foi influenciada pelos tradições locais e as suas particularidades levam a que se fale em Parsismo. Até 1477 os Parsis não mantiveram contacto com os zoroastrianos que permaneceram no Irão. Nesse ano restabeleceu-se o contacto sob a forma de troca de correspondência que durou até 1768.
No século XIX a conquista da Índia pelos britânicos levaria a um confronto entre os valores tradicionais dos parses e os valores religiosos e culturais do Ocidente. John Wilson, um missionário cristão da Escócia, atacou a religião dos Parses, alegando que o dualismo presente era contrário ao verdadeiro espírito monoteísta. Martin Haug, um filólogo alemão, que viveu e ensinou em Puna durante a década de 60 do século XIX, concluiu que apenas os Gathas eram as palavras originais do profeta Zaratustra. Estes acontecimentos propiciaram o início de um movimento de reforma religiosa, que divide a comunidade zoroastriana entre aqueles que pretendem um regresso a concepções que entendem como mais puras e próximas da mensagem inicial, rejeitando o excessivo ritualismo, e os tradicionalistas.
[editar] Doutrinas e crenças
Os masdeístas não representam seus deuses em esculturas e não têm templos.
Deixou traços nas principais religiões mundiais como o judaísmo, cristianismo e islamismo através das seguintes crenças:
Imortalidade da alma
Vinda de um Messias
Ressurreição dos mortos
Juízo final
A doutrina de Zaratustra foi espalhada oralmente e suas reformas não podem ser entendidas fora de seu contexto social. O indivíduo pode receber recompensas divinas se lutar contra o mal em seu cotidiano, como pode também ser punido após a morte caso escolha o lado do mal. Os mortos são considerados impuros, então não são enterrados, pois consideram a terra, o fogo e a água sagrados, eles os deixam em torres para serem devorados por aves de rapina.
[editar] Textos religiosos
O principal texto religioso do zoroastrismo é o Avesta. Julga-se que a actual forma do Avesta corresponde a apenas uma parte de Avesta original, que teria sido destruído em resultado da invasão de Alexandre o Grande.
O Avesta divide-se em várias secções, das quais a principal é o Yasna ("Sacríficios"). O Yasna inclui os Gathas, hinos que se julga terem sido compostos pelo próprio Zaratustra. O Vispered é essencialmente um complemento do Yasna. O Vendidad é a secção que contém as regras de pureza da religião, podendo ser comparado ao Levítico da Bíblia. Os Yashts são hinos dedicados às divindades.
Para além do Avesta existem os textos em palavi, escritos na sua maior parte no século IX.
[editar] Escatologia individual
A escatologia individual do zoroastrismo afirma que três dias após a morte a alma chega à Ponte Cinvat. A alma de cada pessoa percepciona então a materialização dos seus actos (daena): uma alma que praticou boas acções vê uma bela virgem de quinze anos, enquanto que a alma de uma pessoa má vê uma megera.
Cada alma será julgada pelos deuses Mithra, Sraosha e Rashnu. As almas boas poderão atravessar a ponte, enquanto que as más serão lançadas para o inferno; as almas que praticaram uma quantidade idêntica de boas e más acções são enviadas para o Hamestagan, uma espécie de purgatório.
As almas elevam-se ao céu através de três etapas, as estrelas, a Lua e o Sol, que correspondem, respectivamente, aos bons pensamentos, boas palavras e boas acções. O destino final é o Anagra Raosha, o reino das luzes infinitas.
[editar] Sacerdócio
Existem três graus de sacerdócio no zoroastrismo contemporâneo. O sacerdócio tende a ser hereditário, embora não seja obrigatório que o filho de um sacerdote venha a seguir a profissão do pai.
Os sacerdotes de grau inferior recebem o nome de ervad, neste grau inicial é preciso conhecer de cor as escrituras do zoroastrismo, bem como a lei; desempenham apenas uma função de assistente nas cerimónias mais importantes da religião. Acima de si encontra-se o mobed e por sua vez acima deste o dastur, que é responsável pela administração de um ou vário Locais de cultos templos, por vezes comparado ao bispo do cristianismo.
Os templos religiosos do zoroastrismo, onde se desenrolam as cerimónias e se celebram os festivais próprios da religião, são conhecidos como templos de fogo.
Estes edifícios possuem duas partes principais. A mais importante é a câmara onde se conserva o fogo sagrado, que arde numa pira metálica colocada sobre uma plataforma de pedra. Os sacerdotes zoroastrianos visitam o fogo cinco vezes por dia e procuram mantê-lo aceso, fazendo oferendas sândalo purificado. Recitam também orações perante o fogo com a boca tapada por um tecido, de modo a não contaminarem o fogo. Este respeito pelo fogo sagrado levou a que os zoroastrianos fossem chamados de "adoradores de fogo", o que constitui um erro, na medida em que o fogo não é adorado em si, mas como um símbolo da sabedoria e luz divina de Ahura Mazda. Os templos de fogo mais importantes do Irão e da Índia mantêm uma chama de fogo sagrado a arder perpetuamente.
[editar] Rituais
O zoroastrismo não determina que os membros devam realizar um número obrigatório de orações por dia. Os zoroastrianos podem decidir quando e onde desejam orar. A maioria dos zoroastrianos reza várias vezes por dia, invocando a grandeza de Ahura Mazda. As orações são feitas perante uma chama de fogo.
O Navjote (ou Sedreh-Pushi como é conhecido entre os zoroastrianos do Irão) é uma cerimónia de iniciação obrigatória destinada às crianças zoroastrianas que deve acontecer entre os sete e os quinze anos de idade. É importante que a criança já conheça as principais orações da religião.
Antes da cerimónia começar a criança toma uma banho ritual de purificação (Naahn). Durante a cerimónia, conduzida pelo mobed e na qual estão presentes familiares e amigos, a criança recebe o sudreh (ou sedra, uma veste branca de algodão) e o kusti (um cordão feito de lã) que ata na sua cintura. A partir deste momento o zoroastriano deve usar sempre o sudreh e o kusti.
O casamento zoroastriano implica dois momentos distintos. No primeiro os noivos e os seus padrinhos assinam o contrato de casamento. Segue-se a cerimónia propriamente dita durante a qual as mulheres da família colocam sobre a cabeça dos noivos um lenço; simultaneamente dois cones de açúcar são esfregados um contra o outro. O lenço é então cosido, simbolizando a união do casal. As festas do casamento podem prolongar-se entre os três e os sete dias.
[editar] Práticas funerárias
Uma torre do silêncio em ruínas
Os zoroastrianos acreditam que o corpo humano é puro e não algo que deva ser rejeitado. Quando uma pessoa morre o seu espírito deixa o corpo num prazo de três dias e o seu cadáver é impuro. Uma vez que a natureza é uma criação divina marcada pela pureza não se deve polui-la com um cadáver.
Na prática esta crença implicou que os cadáveres dos zoroastrianos não fossem enterrados, mas colocados ao ar livre para serem devorados por aves de rapina, em estruturas conhecidas como Torres do silêncio (dokhma)
Após a morte um cão é trazido perante o cadáver, num ritual que se repete cinco vezes por dia. No quarto onde se encontra o cadáver arde uma pira de fogo ou velas durante três dias. Durante este tempo os vivos evitam o consumo de carne.
Os participantes no funeral vestem-se todos de branco, procurando-se evitar o contacto directo com o defunto. O cadáver (sem roupa) é então depositado numa torre do silêncio. Depois das aves terem consumido a carne, os ossos são deixados ao sol durante algum tempo para secarem.
Por motivos vários (relacionados por exemplo com a diminuição da população de aves de rapina ou com a ilegalidade desta tradição em alguns países) esta prática tem sido abandonada zoroastrianos residentes em países ocidentais e até mesmo no Irão e Índia, optando-se pela cremação.
[editar] Festas
As comunidades zoroastrianas actuais regem-se por três calendários diferentes:
o Fasli (usado pelos Zoroastrianos Iranianos e alguns Parses);
o Shahanshahi (usado pela maioria dos Parses); e
o Qadimi (este último o menos utilizado de todos).
O que significa que as festas religiosas podem ser celebradas em diferentes dias, nestes calendários cada mês e cada dia do mês recebe o nome de um Amesha Spenta ou de um Yazata. Os zoroastrianos celebram seis festivais ao longo do ano - os Gahambars - cujas origens se encontram nas diferentes actividades agrícolas dos antigos povos do planalto iraniano e nas estações do ano.
O Noruz é o Ano Novo Persa, celebrado no dia 21 de Março no calendário Fasli (os parses celebram o Noruz em meados de Agosto). Por volta deste dia os zoroastrianos colocam nas suas casas uma mesa com sete itens: um vaso com rebentos de lentilhas ou de trigo, um pudim, vinagre, maças, alho, pó de sumagre, frutos da árvore jujube; outros elementos que enfeitam a mesa são moedas, o Avesta, um espelho, flores e uma imagem de Zaratustra. O Noruz é celebrado com o uso de roupas novas, com o consumo de pratos especiais, com a troca de presentes e com a celebração de cerimónias religiosas. O fogo tem nele um significado especial. Seis dias depois do Noruz os zoroastrianos festejam o nascimento de Zaratustra.
[editar] O zoroastrismo hoje
A comunidade zoroastriana existente no mundo contemporâneo pode ser dividida em dois grandes grupos: os Parses e os zoroastrianos iranianos. Para além destes existem também ocidentais convertidos à religião. Segundo estimativas de 2004 o número de zoroastrianos era de 124 mil pessoas.
Na Índia os Parses são reconhecidos pelas suas contribuições à sociedade no domínio económico, educativo e caritativo. Muitos vivem em Mumbai (Bombaim) e têm tendência para praticar a endogamia, desencorajando o proselitismo religioso. Vêem a sua fé como étnica.
Em geral os zoroastrianos iranianos mostram-se mais abertos a aceitar conversões. Concentram-se nas cidades de Teerão, Yazd e Kerman. Falam uma variante da língua persa, o Dari (diferente do Dari falado no Afeganistão). Receberam o nome de gabars, termo inicialmente com conotações pejorativas (no sentido de "infiel"), mas que perdeu muito da sua carga negativa.
Uma diáspora zoroastriana pode ser encontrada em países como o Reino Unido, Canadá (6 mil pessoas), Estados Unidos (11 mil pessoas) e Austrália (2700 pessoas) e nos países do Golfo Pérsico (2200 pessoas).
A UNESCO declarou o ano de 2003 como ano de celebração dos 3000 anos da religião e cultura zoroastriana, numa iniciativa proposta pelo governo do Tadjiquistão.
Bibliografia
BAUSANI, Alessandro - "Lo Zoroastrismo" in Le Grandi Religioni, dir. Angelo Solmi, Volume VI. Milão: Rizzoli Editore, 1964.
BOYCE, Mary - Zoroastrians: Their Religious Beliefs and Practices. New York: Routledge, 2002. ISBN 0-415-23903-6.
SMART, Ninian - The World's Religions. Cambridge University Press, 1998. ISBN 0-521-63748-1.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Zoroastrismo
O zoroastrismo, também chamado de masdeísmo, mitraísmo ou parsismo, é uma religião monoteísta fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É considerada como a primeira manifestação de um monoteísmo ético. De acordo com os historiadores da religião, algumas das suas concepções religiosas, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
Tem seus fundamentos fixados no Avesta e admite a existência de duas divindades (dualismo), representando o Bem (Aúra-Masda) e o Mal (Arimã), de cuja luta venceria o Bem.
História
[editar] A religião pré-zoroastriana
A religião do Irã antes do surgimento do zoroastrismo apresentava semelhanças com a da Índia Védica, dado que as populações que habitavam estes espaços descendiam de um mesmo povo, os arianos (ou indo-iranianos). Era uma religião politeísta, na qual o sacrifício dos animais e o consumo de uma bebida chamada haoma (em sânscrito: soma) desempenhavam nela um importante papel.
Os seres divinos enquadravam-se em duas classes, ambas de características positivas: os ahuras (em sânscrito: asuras; "senhores") e os daivas (em sânscrito: deivas; "deuses").
[editar] Zoroastro
Zoroastro viveu na Ásia Central, num território que compreendia o que é hoje a parte oriental do Irã e a região ocidental do Afeganistão. Não existe um consenso em torno do período em que viveu; os acadêmicos tem situado a sua vida entre 1750 e 1000 a.C.. Sobre a sua vida existem poucos dados precisos, sendo as lacunas preenchidas por lendas.
De acordo com os relatos tradicionais zoroastrianos, Zoroastro viveu no século VI a.C., pertencendo ao clã Spitama, sendo filho de Pourushaspa e de Dugdhova. Era o sacerdote do culto dedicado a um determinado ahura. Foi casado duas vezes e teve vários filhos. Faleceu aos setenta e sete anos assassinado por um sacerdote.
Aos trinta anos, enquanto participava num ritual de purificação num rio, Zaratustra viu um ser de luz que se apresentou como sendo Vohu Manah ("Bom Pensamento") e que o conduziu até à presença de Ahura Mazda (Deus) e de outros cinco seres luminosos, os Amesha Spentas, sendo este o primeiro de uma série de encontros com Ahura Mazda, que lhe revelou a sua mensagem.
As autoridades civis e religiosas opunham-se às doutrinas de Zoroastro. Após doze anos de pregação, Zoroastro abandonou a sua região natal e fixou-se na corte do rei Vishtaspa na Báctria (região que se encontra no atual Afeganistão). Este rei e sua esposa, a rainha Hutosa, converteram-se à doutrina de Zoroastro e o zoroastrismo foi declarado como religião oficial do reino.
O principal documento que nos permite conhecer a vida e o pensamento religioso de Zoroastro são os Gathas, dezessete hinos compostos pelo próprio Zoroastro e que constituem a parte mais importante do Avesta ou livro sagrado do zoroastrismo. A linguagem dos Gathas assemelha-se à que é usada no Rig Veda, o que situaria Zoroastro entre 1500-1200 a.C. e não no século VI a.C. Vivia na Idade do Bronze, numa sociedade dominada por uma aristocracia guerreira.
Para alguns investigadores, muito mais do que o fundador de uma nova religião, Zoroastro foi antes um reformador das práticas religiosas indo-iranianas. Ele propôs uma mudança no panteão dominante que ia no sentido do monoteísmo e do dualismo. Na perspectiva de Zoroastro, os ahuras passam a ser vistos como seres que escolheram o bem e os daivas o mal. Na Índia, o percurso seria inverso, com os ahuras a representarem o mal e os daevas o bem.
Zoroastro elevaria Ahura Mazda ("Senhor Sábio") ao estatuto de divindade suprema, criadora do mundo e única digna de adoração.
Outro conceito religioso por ele apresentado foi o dos Amesha Spentas ("Imortais Sagrados"), que podem ser descritos como emanações ou aspectos de Ahura Mazda. Nos Gathas os Amesha Spentas são apresentados de uma forma bastante abstrata; séculos depois eles serão transformados e elevados ao estatuto de divindades. Cada Amesha Spenta foi associado a um aspecto da criação divina.
Os Amesha Spentas são:
Vohu Manah ("Bom Pensamento"): os animais;
Asha Vahishta ("Verdade Perfeita"): o fogo;
Spenta Ameraiti - ("Devoção Benfeitora"): a terra;
Khashathra Vairya - ("Governo Desejável"): o céu e os metais;
Hauravatat ("Plenitude"): a água;
Ameretat ("Imortalidade"): as plantas.
Os Gathas revelam também um pensamento dualista, sobretudo no plano ético, entendido como uma livre escolha entre o bem e o mal. Posteriormente, o dualismo torna-se cosmológico, entendido como uma batalha no mundo entre forças benignas e forças maléficas.
Atualmente os zoroastrianos dividem-se entre o dualismo ético ou o dualismo cosmológico, existindo também outros que aceitam os dois conceitos. Alguns acreditam que Ahura Mazda tem um inimigo chamado Angra Mainyu (ou Ahriman), responsável pela doença, pelos desastres naturais, pela morte e por tudo quanto é negativo. Angra Mainyu não deve ser visto como um deus; ele é antes uma energia negativa que se opõe à energia positiva de Ahura Mazda, tentando destruir tudo o que de bom foi feito por ele (a energia positiva de Deus é chamada de Spenta Mainyu). No final Angra Mainyu será destruído e o bem triunfará. Outros zoroastrianos encaram o dualismo no plano interno de cada pessoa, como a escolha que cada um deve fazer entre o bem e o mal, entre uma mentalidade progressista e uma mentalidade retardatária.
Os zoroastrianos acreditam que Zoroastro é um profeta de Deus, mas não é alvo de particular veneração. Eles acreditam que através dos seus ensinamentos os seres humanos podem aproximar-se de Deus e da ordem natural marcada pelo bem e justiça (asha).
[editar] A época aqueménida
Entre a morte de Zaratustra e a ascensão do Império Aqueménida no século VI a.C. pouco se sabe sobre o zoroastrismo, a não ser que se difundiu por todo o planalto iraniano.
Em 549 a.C. Ciro II derrota Astíages, rei dos Medos, e funda o Império Persa, que unia sob o mesmo ceptro os Medos e os Persas. A dinastia à qual pertencia, os Aqueménidas, adoptará o zoroastrismo como religião oficial do império, mas será tolerante em relação às religiões dos povos que nele vivem. Foi o rei Ciro II (dito O Grande) que libertou os Judeus do seu cativeiro e permitiu o regresso destes à Palestina. Provavelmente o primeiro rei persa que reconheceu oficialmente esta religião foi Dario I, como mostra uma placa de ouro na qual o rei se proclama devoto de Ahura Mazda.
Dario teve que combater um usurpador chamado Gautama, que se fazia passar por um filho de Ciro. Gautama ordenou a destruição de santuários pagãos que seriam restaurados por Dario. Por causa deste comportamento atribui-se por vezes a Gautama a adopção do zoroastrismo.
Os Medos possuíam uma casta ou tribo sacerdotal, conhecida como os Magi, que adoptaram a religião de Zaratustra, não sem introduzir alterações na mensagem original e incorporando antigas concepções religiosas. Os Magi seriam a classe sacerdotal dos três grandes impérios persas. Casavam dentro do seu grupo e expunham os corpos dos mortos às aves de rapina, duas práticas que viriam a ser adoptadas pelos zoroastrianos. Os sacerdotes recuperam os antigos sacrifícios e o uso do haoma. Os Amesha Spentas, inicialmente abstractos no pensamento de Zaratustra, foram personalizados e antigas divindades passaram a ser adoradas. Entre essas divindades (yazatas) estavam o Sol, a Lua, Tishtrya (deus da chuva), Vayu (o vento), Anahita (deusa das águas) e Mitra.
Foram também erigidos grandes templos e altares de fogo ao ar livre. Artaxerxes II (404-358 a.C.) chegou mesmo a ordenar a construção de templos em honra de Anahita nas principais cidades do império. Durante este período foi também criado o calendário zoroastriano e desenvolveu-se o conceito do Saoshyant, segundo o qual um descendente de Zarastustra, nascido de uma virgem, viria para salvar o mundo.
[editar] A época arsácida e sassânida
Com a conquista da Pérsia por Alexandre Magno, em 330 a.C., o zoroastrismo sofreu um duro golpe, tendo a classe sacerdotal sido dizimada e muitos templos destruídos. O incêndio da capital do império, Persépolis, provocaria o desaparecimento de textos da religião conservados na biblioteca da cidade.
Durante o governo dos Selêucidas o zoroastrismo foi respeitado e geraram-se sincretismos entre este e a religião grega (por exemplo, ocorreu uma associação de Zeus a Ahura Mazda). Mas um verdadeiro renascimento do zoroastrismo só começa durante a dinastia dos Partos Arsácidas no século III a.C.. Nesta fase foi compilado o Vendidad, uma parte do Avesta que recolhe textos relacionados com medicina e rituais de pureza.
No período da dinastia Sassânida (224 a.C. - 651 d.C.) o zoroastrismo foi completamente restaurado graças à intervenção de Kartir e de Tansar. O zoroastrismo tornou-se a religião mais comum entre as massas, sendo praticado numa vasta área que ia do Médio Oriente às portas da China. Nesta época assistiu-se à formação de uma verdadeira "Igreja" zoroastriana centrada na Pérsia, foram banidas da prática religiosa as imagens, criou-se o alfabeto avestano e novos textos passam a integrar o Avesta, tais como o Bundahishn e o Denkard. Ao contrário do período Aqueménida, este período ficou marcado pela intolerância em relação a outras religiões, tendo sido promovidas perseguições aos judeus e cristãos. O clero zoroastriano detinha um grande poder e assegurava que cada novo monarca fosse zoroastriano; pesados tributos recaíam sobre a população como forma de sustentar a forma de vida do clero.
[editar] A chegada do islão
Apesar da conversão da Pérsia ao Islão após a conquista dos árabes no século VII, o zoroastrismo sobreviveu em algumas comunidades persas, agrupadas nas cidades de Yazd e Kerman. Os muçulmanos consideraram os zoroastrianos como dhimmis, ou seja, praticantes do monoteísmo (à semelhança dos judeus e dos cristãos) e como tal foram sujeitos a pesados tributos cujo objectivo era estimular a conversão ao Islão.
No século X um grupo de zoroastrianos deixou a Pérsia e fixou-se na Índia, na região do Gujarate. Aqui estabeleceram um comunidade local que recebeu o nome de "Parsi" ("Persas" na língua gujarate) e que permanece naquele território até aos nossos dias. Esta comunidade zoroastriana foi influenciada pelos tradições locais e as suas particularidades levam a que se fale em Parsismo. Até 1477 os Parsis não mantiveram contacto com os zoroastrianos que permaneceram no Irão. Nesse ano restabeleceu-se o contacto sob a forma de troca de correspondência que durou até 1768.
No século XIX a conquista da Índia pelos britânicos levaria a um confronto entre os valores tradicionais dos parses e os valores religiosos e culturais do Ocidente. John Wilson, um missionário cristão da Escócia, atacou a religião dos Parses, alegando que o dualismo presente era contrário ao verdadeiro espírito monoteísta. Martin Haug, um filólogo alemão, que viveu e ensinou em Puna durante a década de 60 do século XIX, concluiu que apenas os Gathas eram as palavras originais do profeta Zaratustra. Estes acontecimentos propiciaram o início de um movimento de reforma religiosa, que divide a comunidade zoroastriana entre aqueles que pretendem um regresso a concepções que entendem como mais puras e próximas da mensagem inicial, rejeitando o excessivo ritualismo, e os tradicionalistas.
[editar] Doutrinas e crenças
Os masdeístas não representam seus deuses em esculturas e não têm templos.
Deixou traços nas principais religiões mundiais como o judaísmo, cristianismo e islamismo através das seguintes crenças:
Imortalidade da alma
Vinda de um Messias
Ressurreição dos mortos
Juízo final
A doutrina de Zaratustra foi espalhada oralmente e suas reformas não podem ser entendidas fora de seu contexto social. O indivíduo pode receber recompensas divinas se lutar contra o mal em seu cotidiano, como pode também ser punido após a morte caso escolha o lado do mal. Os mortos são considerados impuros, então não são enterrados, pois consideram a terra, o fogo e a água sagrados, eles os deixam em torres para serem devorados por aves de rapina.
[editar] Textos religiosos
O principal texto religioso do zoroastrismo é o Avesta. Julga-se que a actual forma do Avesta corresponde a apenas uma parte de Avesta original, que teria sido destruído em resultado da invasão de Alexandre o Grande.
O Avesta divide-se em várias secções, das quais a principal é o Yasna ("Sacríficios"). O Yasna inclui os Gathas, hinos que se julga terem sido compostos pelo próprio Zaratustra. O Vispered é essencialmente um complemento do Yasna. O Vendidad é a secção que contém as regras de pureza da religião, podendo ser comparado ao Levítico da Bíblia. Os Yashts são hinos dedicados às divindades.
Para além do Avesta existem os textos em palavi, escritos na sua maior parte no século IX.
[editar] Escatologia individual
A escatologia individual do zoroastrismo afirma que três dias após a morte a alma chega à Ponte Cinvat. A alma de cada pessoa percepciona então a materialização dos seus actos (daena): uma alma que praticou boas acções vê uma bela virgem de quinze anos, enquanto que a alma de uma pessoa má vê uma megera.
Cada alma será julgada pelos deuses Mithra, Sraosha e Rashnu. As almas boas poderão atravessar a ponte, enquanto que as más serão lançadas para o inferno; as almas que praticaram uma quantidade idêntica de boas e más acções são enviadas para o Hamestagan, uma espécie de purgatório.
As almas elevam-se ao céu através de três etapas, as estrelas, a Lua e o Sol, que correspondem, respectivamente, aos bons pensamentos, boas palavras e boas acções. O destino final é o Anagra Raosha, o reino das luzes infinitas.
[editar] Sacerdócio
Existem três graus de sacerdócio no zoroastrismo contemporâneo. O sacerdócio tende a ser hereditário, embora não seja obrigatório que o filho de um sacerdote venha a seguir a profissão do pai.
Os sacerdotes de grau inferior recebem o nome de ervad, neste grau inicial é preciso conhecer de cor as escrituras do zoroastrismo, bem como a lei; desempenham apenas uma função de assistente nas cerimónias mais importantes da religião. Acima de si encontra-se o mobed e por sua vez acima deste o dastur, que é responsável pela administração de um ou vário Locais de cultos templos, por vezes comparado ao bispo do cristianismo.
Os templos religiosos do zoroastrismo, onde se desenrolam as cerimónias e se celebram os festivais próprios da religião, são conhecidos como templos de fogo.
Estes edifícios possuem duas partes principais. A mais importante é a câmara onde se conserva o fogo sagrado, que arde numa pira metálica colocada sobre uma plataforma de pedra. Os sacerdotes zoroastrianos visitam o fogo cinco vezes por dia e procuram mantê-lo aceso, fazendo oferendas sândalo purificado. Recitam também orações perante o fogo com a boca tapada por um tecido, de modo a não contaminarem o fogo. Este respeito pelo fogo sagrado levou a que os zoroastrianos fossem chamados de "adoradores de fogo", o que constitui um erro, na medida em que o fogo não é adorado em si, mas como um símbolo da sabedoria e luz divina de Ahura Mazda. Os templos de fogo mais importantes do Irão e da Índia mantêm uma chama de fogo sagrado a arder perpetuamente.
[editar] Rituais
O zoroastrismo não determina que os membros devam realizar um número obrigatório de orações por dia. Os zoroastrianos podem decidir quando e onde desejam orar. A maioria dos zoroastrianos reza várias vezes por dia, invocando a grandeza de Ahura Mazda. As orações são feitas perante uma chama de fogo.
O Navjote (ou Sedreh-Pushi como é conhecido entre os zoroastrianos do Irão) é uma cerimónia de iniciação obrigatória destinada às crianças zoroastrianas que deve acontecer entre os sete e os quinze anos de idade. É importante que a criança já conheça as principais orações da religião.
Antes da cerimónia começar a criança toma uma banho ritual de purificação (Naahn). Durante a cerimónia, conduzida pelo mobed e na qual estão presentes familiares e amigos, a criança recebe o sudreh (ou sedra, uma veste branca de algodão) e o kusti (um cordão feito de lã) que ata na sua cintura. A partir deste momento o zoroastriano deve usar sempre o sudreh e o kusti.
O casamento zoroastriano implica dois momentos distintos. No primeiro os noivos e os seus padrinhos assinam o contrato de casamento. Segue-se a cerimónia propriamente dita durante a qual as mulheres da família colocam sobre a cabeça dos noivos um lenço; simultaneamente dois cones de açúcar são esfregados um contra o outro. O lenço é então cosido, simbolizando a união do casal. As festas do casamento podem prolongar-se entre os três e os sete dias.
[editar] Práticas funerárias
Uma torre do silêncio em ruínas
Os zoroastrianos acreditam que o corpo humano é puro e não algo que deva ser rejeitado. Quando uma pessoa morre o seu espírito deixa o corpo num prazo de três dias e o seu cadáver é impuro. Uma vez que a natureza é uma criação divina marcada pela pureza não se deve polui-la com um cadáver.
Na prática esta crença implicou que os cadáveres dos zoroastrianos não fossem enterrados, mas colocados ao ar livre para serem devorados por aves de rapina, em estruturas conhecidas como Torres do silêncio (dokhma)
Após a morte um cão é trazido perante o cadáver, num ritual que se repete cinco vezes por dia. No quarto onde se encontra o cadáver arde uma pira de fogo ou velas durante três dias. Durante este tempo os vivos evitam o consumo de carne.
Os participantes no funeral vestem-se todos de branco, procurando-se evitar o contacto directo com o defunto. O cadáver (sem roupa) é então depositado numa torre do silêncio. Depois das aves terem consumido a carne, os ossos são deixados ao sol durante algum tempo para secarem.
Por motivos vários (relacionados por exemplo com a diminuição da população de aves de rapina ou com a ilegalidade desta tradição em alguns países) esta prática tem sido abandonada zoroastrianos residentes em países ocidentais e até mesmo no Irão e Índia, optando-se pela cremação.
[editar] Festas
As comunidades zoroastrianas actuais regem-se por três calendários diferentes:
o Fasli (usado pelos Zoroastrianos Iranianos e alguns Parses);
o Shahanshahi (usado pela maioria dos Parses); e
o Qadimi (este último o menos utilizado de todos).
O que significa que as festas religiosas podem ser celebradas em diferentes dias, nestes calendários cada mês e cada dia do mês recebe o nome de um Amesha Spenta ou de um Yazata. Os zoroastrianos celebram seis festivais ao longo do ano - os Gahambars - cujas origens se encontram nas diferentes actividades agrícolas dos antigos povos do planalto iraniano e nas estações do ano.
O Noruz é o Ano Novo Persa, celebrado no dia 21 de Março no calendário Fasli (os parses celebram o Noruz em meados de Agosto). Por volta deste dia os zoroastrianos colocam nas suas casas uma mesa com sete itens: um vaso com rebentos de lentilhas ou de trigo, um pudim, vinagre, maças, alho, pó de sumagre, frutos da árvore jujube; outros elementos que enfeitam a mesa são moedas, o Avesta, um espelho, flores e uma imagem de Zaratustra. O Noruz é celebrado com o uso de roupas novas, com o consumo de pratos especiais, com a troca de presentes e com a celebração de cerimónias religiosas. O fogo tem nele um significado especial. Seis dias depois do Noruz os zoroastrianos festejam o nascimento de Zaratustra.
[editar] O zoroastrismo hoje
A comunidade zoroastriana existente no mundo contemporâneo pode ser dividida em dois grandes grupos: os Parses e os zoroastrianos iranianos. Para além destes existem também ocidentais convertidos à religião. Segundo estimativas de 2004 o número de zoroastrianos era de 124 mil pessoas.
Na Índia os Parses são reconhecidos pelas suas contribuições à sociedade no domínio económico, educativo e caritativo. Muitos vivem em Mumbai (Bombaim) e têm tendência para praticar a endogamia, desencorajando o proselitismo religioso. Vêem a sua fé como étnica.
Em geral os zoroastrianos iranianos mostram-se mais abertos a aceitar conversões. Concentram-se nas cidades de Teerão, Yazd e Kerman. Falam uma variante da língua persa, o Dari (diferente do Dari falado no Afeganistão). Receberam o nome de gabars, termo inicialmente com conotações pejorativas (no sentido de "infiel"), mas que perdeu muito da sua carga negativa.
Uma diáspora zoroastriana pode ser encontrada em países como o Reino Unido, Canadá (6 mil pessoas), Estados Unidos (11 mil pessoas) e Austrália (2700 pessoas) e nos países do Golfo Pérsico (2200 pessoas).
A UNESCO declarou o ano de 2003 como ano de celebração dos 3000 anos da religião e cultura zoroastriana, numa iniciativa proposta pelo governo do Tadjiquistão.
Bibliografia
BAUSANI, Alessandro - "Lo Zoroastrismo" in Le Grandi Religioni, dir. Angelo Solmi, Volume VI. Milão: Rizzoli Editore, 1964.
BOYCE, Mary - Zoroastrians: Their Religious Beliefs and Practices. New York: Routledge, 2002. ISBN 0-415-23903-6.
SMART, Ninian - The World's Religions. Cambridge University Press, 1998. ISBN 0-521-63748-1.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Zoroastrismo
philosophia perennis
O que é a philosophia perennis?
Segundo Ananda Coomaraswamy, um dos pensadores que a estudou e a re-apresentou no século passado: "a filosofia metafísica é chamada de perene devido a sua eternidade, universalidade e imutabilidade; é o que Agostinho denomina Sabedoria incriada, a mesma agora assim como sempre foi e sempre será".Segundo Frithjof Schuon, outro pensador que estaremos referenciando muito:
"A expressão philosophia perennis, que apareceu a partir do Renascimento, e a qual a escolástica usou amplamente, designa a ciência dos princípios ontológicos fundamentais e universais; ciência imutável como estes princípios, e primordial pelo fato mesmo de sua universalidade e sua infalibilidade. Utilizaríamos de bom grado a expressão sophia perennis para indicar que não se trata de "filosofia" no sentido corrente e aproximado da palavra - qual sugerem simples construções mentais, surgidas da ignorância, da dúvida e das conjecturas, e inclusive do gosto pela novidade e a originalidade -, ou, também, poderíamos empregar a expressão religio perennis, referíndo-nos então ao lado operativo desta sabedoria, ou seja a seu aspecto místico ou iniciático." (Em busca da religião perene)
Um bom começo para navegar pelo site é através das páginas dedicadas aos caminhantes das trilhas da filosofia perene
Fonte: http://www.sophia.bem-vindo.net/tiki-index.php
Caminante, son tus huellasel camino, y nada más;caminante, no hay camino,se hace camino al andar.Al andar se hace camino,y al volver la vista atrásse ve la senda que nuncase ha de volver a pisar.Caminante, no hay camino,sino estelas en la mar.Antonio Machado (1875-1939)
Filosofia Perene
A philosophia perennis ou Filosofia Perene afirma que uma visão sobre a natureza da realidade é uma possibilidade humana universal - seja adquirida após a prática de disciplinas espirituais e do estudo das escrituras, ou através de uma experiência totalmente inesperada iluminação da união com Deus ou o Ultimate . O resultado de tal consciência é a confiança que temos desconcentração de uma única fonte e do processo de desenvolvimento espiritual é completada e aperfeiçoada em nosso retorno ao Uno.
To call this perennial is to say that such an insight reappears in diverse times and places, not limited to any particular culture, class, or community. In more formal words, this philosophy has been described as Para chamar esta perene é dizer que tal insight reaparece em diversos tempos e lugares, não se limitando a qualquer cultura particular, classe ou comunidade. Em palavras mais formal, essa filosofia tem sido descrito como
"the metaphysic that recognizes a divine Reality behind the world of things and lives and minds; the psychology that finds in [one] something identical with divine Reality and the ethic that places [one's] final end in the knowledge of the Immanent and Transcendent Ground of all things." "A metafísica que reconhece uma realidade divina por trás do mundo das coisas, vidas e mentes; a psicologia que encontra em [um] algo idêntico com a realidade divina e da ética que coloca a [alguém] ponto final no conhecimento do imanente e fundamento transcendente de todas as coisas. "
In other words, the term philosophia perennis is intended to describe a philosophy that has been formulated by those who have experienced direct communion with God or the Ultimate. Em outras palavras, a philosophia perennis prazo destina-se a descrever uma filosofia que tem sido formulada por aqueles que experimentaram a comunhão direta com Deus ou o Ultimate. However brief the experience, it transforms the thinking mind of the experiencer, so that they are never the same again. Such revelatory experience, captured however dimly in symbols supplied by human language or by whatever artistic expression, however often repeated through the ages by people of all races, genders, cultures and religious beliefs, open onto the Perennial Philosophy. No entanto a experiência breve, transforma a mente pensante do experimentador, de modo que eles nunca são os mesmos. Experiência reveladora Tal, capturado ainda que vagamente em símbolos fornecidos pela linguagem humana ou por qualquer expressão artística, no entanto, muitas vezes repetida ao longo dos tempos por pessoas de todas as raças, sexos, culturas e crenças religiosas, abrem-se para a Filosofia Perene.
More than half a century ago, Aldous Huxley gave this title to an anthology that he edited. Mais de meio século atrás, Aldous Huxley deu este título a uma antologia que ele editou. In the type of experience central to it, whether called archaic or primordial or mystical, the veil of materiality is rent and mistaken certainties are dispelled. No tipo de experiência fundamental para que, se chamado arcaico ou primordial ou místico, o véu da materialidade e equivocadas certezas aluguel são dissipadas.
For the reader, Huxley's anthology may validate and verify that moment in which self-knowledge moves one beyond the felt limitations of "a foul stinking lump of himself," as the classical British text of spiritual instruction, The Cloud of Unknowing , described it. Are such texts of spiritual instruction and the experiences of traditional mystics still of value today? Para o leitor, a antologia de Huxley pode validar e verificar o momento em que o auto-conhecimento se move um além das limitações sentidas dos "fedorentos fixo falta um de si mesmo", como o britânico clássico texto de instrução espiritual, A Nuvem do Desconhecimento, descreveu. São esses textos de instrução espiritual e as experiências dos místicos tradicionais ainda do valor hoje? Perennial Philosophy responds with an emphatic Yes! Filosofia Perene responde com um enfático sim!
One way of expressing the central insight of the Perennial Philosophy is with the phrase That Thou Art , taken from the Sanskrit of the ancient Upanishads. The phrase teaches that the immanent eternal self is realized to be one with the Absolute Principle of all existence, and that the true destiny of human beings is to discover this fact for themselves, to find out Who and What they really are. Among the other vivid expressions of this insight are these: Uma maneira de expressar a idéia central da Filosofia Perene é com a frase que Thou Art, tirada do sânscrito dos antigos Upanishads. A frase ensina que o eterno imanente é realizado para ser um com o princípio absoluto de toda a existência, e que o verdadeiro destino dos seres humanos é para descobrir esse fato por si mesmos, para descobrir quem eo que eles realmente são essas. Entre outras vivas as expressões dessa visão são:
BYAZID OF BISTUM: "I went from God to God, until they cried from me in me, "O Thou I!" BYAZID DE BISTUM: "Eu fui de Deus para Deus, até que gritaram de mim em mim:" Ó tu também! "
ST. ST. CATHERINE OF GENOA: "My Me is God, nor do I recognize any other except my God Himself." Catarina de Gênova: "O meu Eu é Deus, nem me reconhecem qualquer outro, exceto o meu próprio Deus."
YUNG-CHIA-TA-SHIH: "The inner Light is beyond praise and blame; like space, it knows no boundaries, yet it is even here, within us, ever retaining its serenity and fullness. It is only when you hunt for it that you lose it. You cannot take hold of it, but equally, you cannot get rid of it." YUNG-Chia-TA-SHIH: "A luz interior está além do elogio e culpa, como o espaço, não conhece limites, mas é mesmo aqui, dentro de nós, sempre mantendo sua serenidade e plenitude dele. É só quando você busca por que você perdê-lo. Você não pode segurá-lo, mas também, você não consegue se livrar dela. "
MEISTER ECKHART: "The more God is in all things, the more He is outside them; the more He is within, the more without. Only the transcendent, the complete other, can be immanent without being changed by the becoming of that in which it dwells." Mestre Eckhart: "Quanto mais Deus está em todas as coisas, mais ele está fora deles, o mais Ele está dentro, mais sem a qual. Somente o transcendente, completa outro, pode ser o imanente, sem ser alterados pelo devir do que em ele habita ".
And what is the That which the Thou can discover itself to be? E o que é a de que o que tu pode descobrir-se como?
RUYSBROECK: Ruysbroeck: "In the Reality unitively known by the mystic ...we can speak no more of any creature but only of one Being... There were we all one before our creation, for this is our super-essence." "Na realidade unitivamente conhecido pelo místico ... podemos falar mais nada de qualquer criatura, mas apenas de um Ser ... Houve um que todos nós antes de nossa criação, pois essa é a essência do super-".
ST. ST. BERNARD: "Who is God? I can think of no better answer than He who is. Nothing is more appropriate to the eternity which God is. If you call God good, or great, or blessed or wise, or anything else of this sort, it is included in these words, namely, He is." BERNARD: "Quem é Deus de? Eu posso pensar em nenhuma resposta melhor do que aquele que é isso. Nada mais apropriado para a eternidade que a sorte é Deus. Se a chamada de Deus bom ou ótimo, ou abençoado ou sábio, ou qualquer outra coisa que você , é incluído nestas palavras, isto é, Ele é. "
How can one attain inner certainty of That? Como se pode alcançar a certeza interior de Que?
Perennial Philosophy offers a seemingly paradoxical answer. Filosofia Perene oferece uma resposta aparentemente paradoxal. The obstacle to unitive knowledge of That is obsessive consciousness of being a separate self. O obstáculo ao conhecimento unitivo do que é a consciência obsessiva de ser um eu separado. Attachment to I , me , or mine excludes unitive knowledge of God. Apego ao eu, eu, nem meus exclui o conhecimento unitivo de Deus.
WILLIAM LAW: "Men are not in hell because God is angry with them . . . they stand in the state of division and separation which by their own motion, they have made for themselves. William Law: "Os homens não estão no inferno porque Deus está zangado com eles fizeram para si... Eles estão no estado de divisão e separação pela qual os seus próprios movimentos, que eles têm.
ST. ST. JOHN OF THE CROSS: "The soul that is attached to anything, however much good there may be in it, will not arrive at the liberty of divine union . . . held by the bonds of human affections, however slight they may be, we cannot, while they last, make our way to God." João da Cruz: a de que se apega a nada, por muito boa que pode haver na mesma, não vai chegar a liberdade da união divina... "A alma realizada pelos laços de afetos humanos, por mais leve que seja, nós não pode, ao mesmo tempo que elas duram, fazemos o nosso caminho para Deus. "
ALDOUS HUXLEY: "We pass from time to eternity when identified with the spirit and pass again from eternity to time when we choose to identify with the body." Aldous Huxley: "Passamos do tempo à eternidade, quando identificado com o espírito e passar novamente por toda a eternidade ao momento em que optar por se identificar com o corpo."
What help is available? Que ajuda está disponível?
PHILO OF ALEXANDRIA: "They are on the way to truth who apprehend God by means of the divine, Light by the Light." Fílon de Alexandria: "Eles estão a caminho de apreender a verdade que Deus, por meio do divino, Luz, a Luz".
When is it available? Quando está disponível? Consider the following affirmations: Considere as seguintes afirmações:
JOEL GOLDSMITH: "I am in union with the divine Intelligence of the past, the present and the future. No spiritual secret is hidden from me . . . There is this transcendental Being within me which I am and to which I have access forever. . . . That infinite divine Consciousness of God, the Consciousness of the past, and the present and the future, is my consciousness at this moment." Joel Goldsmith: eu estou em união com o divino de Inteligência do passado, do presente e do futuro. "Nenhum segredo espiritual se esconde de mim ter acesso para sempre... Não é este Ser transcendental dentro de mim que eu sou e que eu. ... Esta consciência divina infinita de Deus, a consciência do passado e do presente e futuro, é a minha consciência neste momento. "
ALDOUS HUXLEY: "We are on a return sweep towards a point corresponding to our starting place in animality, but incommensurably above it. Once more life is lived in the moment. The life now of a being in whom love has cast out fear, vision has taken the place of earthly hope, selflessness has put a stop to the positive egotism of complacent reminiscence and the negative egotism of remorse. Aldous Huxley: "Estamos em uma varredura de retorno para um ponto correspondente ao nosso ponto de partida na animalidade, mas incomensuravelmente acima, mais uma vez. A vida é vivida na visão momento. A vida agora de um ser em quem o amor foi lançado fora o medo tomou o lugar da esperança terrena, abnegação colocou um ponto positivo para o egoísmo da reminiscência complacentes e do egoísmo negativa de remorso.
"The present moment is the only aperture through which the soul can pass out of time into eternity, through which grace can pass out of eternity into the soul, and through which love can pass from one soul in time to another soul in time." "O momento presente é a única abertura pela qual a alma pode passar do tempo para a eternidade, através do qual a graça pode passar para fora da eternidade na alma, e através de que o amor pode passar de uma alma no tempo, a outra alma no tempo."
Fonte: http://translate.googleusercontent.com/translate_c?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.religiousworlds.com/text/prenphil.html&prev=/search%3Fq%3DO%2Bque%2B%25C3%25A9%2Ba%2Bphilosophia%2Bperennis%253F%26hl%3Dpt-BR%26biw%3D633%26bih%3D408%26prmd%3Div&rurl=translate.google.com.br&twu=1&usg=ALkJrhiJbBLa24teRF9xvgGHfLdosPAxvw
Segundo Ananda Coomaraswamy, um dos pensadores que a estudou e a re-apresentou no século passado: "a filosofia metafísica é chamada de perene devido a sua eternidade, universalidade e imutabilidade; é o que Agostinho denomina Sabedoria incriada, a mesma agora assim como sempre foi e sempre será".Segundo Frithjof Schuon, outro pensador que estaremos referenciando muito:
"A expressão philosophia perennis, que apareceu a partir do Renascimento, e a qual a escolástica usou amplamente, designa a ciência dos princípios ontológicos fundamentais e universais; ciência imutável como estes princípios, e primordial pelo fato mesmo de sua universalidade e sua infalibilidade. Utilizaríamos de bom grado a expressão sophia perennis para indicar que não se trata de "filosofia" no sentido corrente e aproximado da palavra - qual sugerem simples construções mentais, surgidas da ignorância, da dúvida e das conjecturas, e inclusive do gosto pela novidade e a originalidade -, ou, também, poderíamos empregar a expressão religio perennis, referíndo-nos então ao lado operativo desta sabedoria, ou seja a seu aspecto místico ou iniciático." (Em busca da religião perene)
Um bom começo para navegar pelo site é através das páginas dedicadas aos caminhantes das trilhas da filosofia perene
Fonte: http://www.sophia.bem-vindo.net/tiki-index.php
Caminante, son tus huellasel camino, y nada más;caminante, no hay camino,se hace camino al andar.Al andar se hace camino,y al volver la vista atrásse ve la senda que nuncase ha de volver a pisar.Caminante, no hay camino,sino estelas en la mar.Antonio Machado (1875-1939)
Filosofia Perene
A philosophia perennis ou Filosofia Perene afirma que uma visão sobre a natureza da realidade é uma possibilidade humana universal - seja adquirida após a prática de disciplinas espirituais e do estudo das escrituras, ou através de uma experiência totalmente inesperada iluminação da união com Deus ou o Ultimate . O resultado de tal consciência é a confiança que temos desconcentração de uma única fonte e do processo de desenvolvimento espiritual é completada e aperfeiçoada em nosso retorno ao Uno.
To call this perennial is to say that such an insight reappears in diverse times and places, not limited to any particular culture, class, or community. In more formal words, this philosophy has been described as Para chamar esta perene é dizer que tal insight reaparece em diversos tempos e lugares, não se limitando a qualquer cultura particular, classe ou comunidade. Em palavras mais formal, essa filosofia tem sido descrito como
"the metaphysic that recognizes a divine Reality behind the world of things and lives and minds; the psychology that finds in [one] something identical with divine Reality and the ethic that places [one's] final end in the knowledge of the Immanent and Transcendent Ground of all things." "A metafísica que reconhece uma realidade divina por trás do mundo das coisas, vidas e mentes; a psicologia que encontra em [um] algo idêntico com a realidade divina e da ética que coloca a [alguém] ponto final no conhecimento do imanente e fundamento transcendente de todas as coisas. "
In other words, the term philosophia perennis is intended to describe a philosophy that has been formulated by those who have experienced direct communion with God or the Ultimate. Em outras palavras, a philosophia perennis prazo destina-se a descrever uma filosofia que tem sido formulada por aqueles que experimentaram a comunhão direta com Deus ou o Ultimate. However brief the experience, it transforms the thinking mind of the experiencer, so that they are never the same again. Such revelatory experience, captured however dimly in symbols supplied by human language or by whatever artistic expression, however often repeated through the ages by people of all races, genders, cultures and religious beliefs, open onto the Perennial Philosophy. No entanto a experiência breve, transforma a mente pensante do experimentador, de modo que eles nunca são os mesmos. Experiência reveladora Tal, capturado ainda que vagamente em símbolos fornecidos pela linguagem humana ou por qualquer expressão artística, no entanto, muitas vezes repetida ao longo dos tempos por pessoas de todas as raças, sexos, culturas e crenças religiosas, abrem-se para a Filosofia Perene.
More than half a century ago, Aldous Huxley gave this title to an anthology that he edited. Mais de meio século atrás, Aldous Huxley deu este título a uma antologia que ele editou. In the type of experience central to it, whether called archaic or primordial or mystical, the veil of materiality is rent and mistaken certainties are dispelled. No tipo de experiência fundamental para que, se chamado arcaico ou primordial ou místico, o véu da materialidade e equivocadas certezas aluguel são dissipadas.
For the reader, Huxley's anthology may validate and verify that moment in which self-knowledge moves one beyond the felt limitations of "a foul stinking lump of himself," as the classical British text of spiritual instruction, The Cloud of Unknowing , described it. Are such texts of spiritual instruction and the experiences of traditional mystics still of value today? Para o leitor, a antologia de Huxley pode validar e verificar o momento em que o auto-conhecimento se move um além das limitações sentidas dos "fedorentos fixo falta um de si mesmo", como o britânico clássico texto de instrução espiritual, A Nuvem do Desconhecimento, descreveu. São esses textos de instrução espiritual e as experiências dos místicos tradicionais ainda do valor hoje? Perennial Philosophy responds with an emphatic Yes! Filosofia Perene responde com um enfático sim!
One way of expressing the central insight of the Perennial Philosophy is with the phrase That Thou Art , taken from the Sanskrit of the ancient Upanishads. The phrase teaches that the immanent eternal self is realized to be one with the Absolute Principle of all existence, and that the true destiny of human beings is to discover this fact for themselves, to find out Who and What they really are. Among the other vivid expressions of this insight are these: Uma maneira de expressar a idéia central da Filosofia Perene é com a frase que Thou Art, tirada do sânscrito dos antigos Upanishads. A frase ensina que o eterno imanente é realizado para ser um com o princípio absoluto de toda a existência, e que o verdadeiro destino dos seres humanos é para descobrir esse fato por si mesmos, para descobrir quem eo que eles realmente são essas. Entre outras vivas as expressões dessa visão são:
BYAZID OF BISTUM: "I went from God to God, until they cried from me in me, "O Thou I!" BYAZID DE BISTUM: "Eu fui de Deus para Deus, até que gritaram de mim em mim:" Ó tu também! "
ST. ST. CATHERINE OF GENOA: "My Me is God, nor do I recognize any other except my God Himself." Catarina de Gênova: "O meu Eu é Deus, nem me reconhecem qualquer outro, exceto o meu próprio Deus."
YUNG-CHIA-TA-SHIH: "The inner Light is beyond praise and blame; like space, it knows no boundaries, yet it is even here, within us, ever retaining its serenity and fullness. It is only when you hunt for it that you lose it. You cannot take hold of it, but equally, you cannot get rid of it." YUNG-Chia-TA-SHIH: "A luz interior está além do elogio e culpa, como o espaço, não conhece limites, mas é mesmo aqui, dentro de nós, sempre mantendo sua serenidade e plenitude dele. É só quando você busca por que você perdê-lo. Você não pode segurá-lo, mas também, você não consegue se livrar dela. "
MEISTER ECKHART: "The more God is in all things, the more He is outside them; the more He is within, the more without. Only the transcendent, the complete other, can be immanent without being changed by the becoming of that in which it dwells." Mestre Eckhart: "Quanto mais Deus está em todas as coisas, mais ele está fora deles, o mais Ele está dentro, mais sem a qual. Somente o transcendente, completa outro, pode ser o imanente, sem ser alterados pelo devir do que em ele habita ".
And what is the That which the Thou can discover itself to be? E o que é a de que o que tu pode descobrir-se como?
RUYSBROECK: Ruysbroeck: "In the Reality unitively known by the mystic ...we can speak no more of any creature but only of one Being... There were we all one before our creation, for this is our super-essence." "Na realidade unitivamente conhecido pelo místico ... podemos falar mais nada de qualquer criatura, mas apenas de um Ser ... Houve um que todos nós antes de nossa criação, pois essa é a essência do super-".
ST. ST. BERNARD: "Who is God? I can think of no better answer than He who is. Nothing is more appropriate to the eternity which God is. If you call God good, or great, or blessed or wise, or anything else of this sort, it is included in these words, namely, He is." BERNARD: "Quem é Deus de? Eu posso pensar em nenhuma resposta melhor do que aquele que é isso. Nada mais apropriado para a eternidade que a sorte é Deus. Se a chamada de Deus bom ou ótimo, ou abençoado ou sábio, ou qualquer outra coisa que você , é incluído nestas palavras, isto é, Ele é. "
How can one attain inner certainty of That? Como se pode alcançar a certeza interior de Que?
Perennial Philosophy offers a seemingly paradoxical answer. Filosofia Perene oferece uma resposta aparentemente paradoxal. The obstacle to unitive knowledge of That is obsessive consciousness of being a separate self. O obstáculo ao conhecimento unitivo do que é a consciência obsessiva de ser um eu separado. Attachment to I , me , or mine excludes unitive knowledge of God. Apego ao eu, eu, nem meus exclui o conhecimento unitivo de Deus.
WILLIAM LAW: "Men are not in hell because God is angry with them . . . they stand in the state of division and separation which by their own motion, they have made for themselves. William Law: "Os homens não estão no inferno porque Deus está zangado com eles fizeram para si... Eles estão no estado de divisão e separação pela qual os seus próprios movimentos, que eles têm.
ST. ST. JOHN OF THE CROSS: "The soul that is attached to anything, however much good there may be in it, will not arrive at the liberty of divine union . . . held by the bonds of human affections, however slight they may be, we cannot, while they last, make our way to God." João da Cruz: a de que se apega a nada, por muito boa que pode haver na mesma, não vai chegar a liberdade da união divina... "A alma realizada pelos laços de afetos humanos, por mais leve que seja, nós não pode, ao mesmo tempo que elas duram, fazemos o nosso caminho para Deus. "
ALDOUS HUXLEY: "We pass from time to eternity when identified with the spirit and pass again from eternity to time when we choose to identify with the body." Aldous Huxley: "Passamos do tempo à eternidade, quando identificado com o espírito e passar novamente por toda a eternidade ao momento em que optar por se identificar com o corpo."
What help is available? Que ajuda está disponível?
PHILO OF ALEXANDRIA: "They are on the way to truth who apprehend God by means of the divine, Light by the Light." Fílon de Alexandria: "Eles estão a caminho de apreender a verdade que Deus, por meio do divino, Luz, a Luz".
When is it available? Quando está disponível? Consider the following affirmations: Considere as seguintes afirmações:
JOEL GOLDSMITH: "I am in union with the divine Intelligence of the past, the present and the future. No spiritual secret is hidden from me . . . There is this transcendental Being within me which I am and to which I have access forever. . . . That infinite divine Consciousness of God, the Consciousness of the past, and the present and the future, is my consciousness at this moment." Joel Goldsmith: eu estou em união com o divino de Inteligência do passado, do presente e do futuro. "Nenhum segredo espiritual se esconde de mim ter acesso para sempre... Não é este Ser transcendental dentro de mim que eu sou e que eu. ... Esta consciência divina infinita de Deus, a consciência do passado e do presente e futuro, é a minha consciência neste momento. "
ALDOUS HUXLEY: "We are on a return sweep towards a point corresponding to our starting place in animality, but incommensurably above it. Once more life is lived in the moment. The life now of a being in whom love has cast out fear, vision has taken the place of earthly hope, selflessness has put a stop to the positive egotism of complacent reminiscence and the negative egotism of remorse. Aldous Huxley: "Estamos em uma varredura de retorno para um ponto correspondente ao nosso ponto de partida na animalidade, mas incomensuravelmente acima, mais uma vez. A vida é vivida na visão momento. A vida agora de um ser em quem o amor foi lançado fora o medo tomou o lugar da esperança terrena, abnegação colocou um ponto positivo para o egoísmo da reminiscência complacentes e do egoísmo negativa de remorso.
"The present moment is the only aperture through which the soul can pass out of time into eternity, through which grace can pass out of eternity into the soul, and through which love can pass from one soul in time to another soul in time." "O momento presente é a única abertura pela qual a alma pode passar do tempo para a eternidade, através do qual a graça pode passar para fora da eternidade na alma, e através de que o amor pode passar de uma alma no tempo, a outra alma no tempo."
Fonte: http://translate.googleusercontent.com/translate_c?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.religiousworlds.com/text/prenphil.html&prev=/search%3Fq%3DO%2Bque%2B%25C3%25A9%2Ba%2Bphilosophia%2Bperennis%253F%26hl%3Dpt-BR%26biw%3D633%26bih%3D408%26prmd%3Div&rurl=translate.google.com.br&twu=1&usg=ALkJrhiJbBLa24teRF9xvgGHfLdosPAxvw
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